14/06/2022 | Notícia Simesp

Médicos de dez UBS deflagram greve pela readmissão do médico de equipe indígena do Butantã


Em assembleia realizada na última segunda-feira, 13 de junho, médicos de dez UBS do Butantã deliberaram paralisação das atividades a partir da próxima quarta-feira (15) pela reintegração imediata do Dr. Marco Antonio, médico da equipe indígena da UBS Real Parque, na zona sul de São Paulo. Os profissionais estão em estado de mobilização permanente desde 30 de maio, quando deliberaram greve contra a demissão arbitrária efetuada pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM). Agora, eles também demandam a retomada do diálogo entre a Prefeitura de São Paulo e o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp).

No dia 3 de junho, médicos de oito UBS, mais os residentes de Medicina Família e Comunidade (MFC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), paralisaram suas atividades. As unidades afetadas foram: Jardim Colombo, Jardim Boa Vista, Jardim D’Abril, Jardim São Jorge, Real Parque, Vila Dalva, Paulo VI e Centro Saúde Escola Butantã. A partir de amanhã (15), somam-se à mobilização os profissionais das UBS São Remo e Jardim Jaqueline, sendo cerca de 60 médicos paralisados por tempo indeterminado. Os médicos residentes de MFC da FMUSP se reunirão em assembleia na noite de hoje (14) para deliberar se aderem novamente ao movimento paredista em solidariedade ao Dr. Marco Antonio e contra os assédios de trabalhadores pela gestão da SPDM.

Apesar de mantido o estado de mobilização permanente, os profissionais interromperam a paralisação após a sinalização de diálogo da Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), com o Simesp. No entanto, o poder público não cumpriu seu compromisso e não se reuniu com o Sindicato na data marcada (13).

Depois da população e profissionais da saúde se manifestaram contra o desligamento, denunciando a motivação política da medida, a Organização Social de Saúde (OSS) gestora da UBS Real Parque passou a tratar a demissão como corriqueira e desmotivada. A SPDM chegou, até mesmo, a voltar atrás nas declarações caluniosas publicadas na imprensa, nas quais alegou que o profissional apresentava faltas recorrentes. Agora, diante do Ministério Público, passaram a afirmar que o médico não tem qualquer desvio de conduta. O que a SPDM tenta esconder é que, além de excelente no cuidado da população Pankararu, o médico era também um líder local que sempre lutou pela melhoria do serviço de saúde da comunidade e pelos direitos de seus colegas. A demissão do Dr. Marco se configura, portanto, em um grave ataque aos trabalhadores do SUS que ousam se mobilizar em seus locais de trabalho, e pode abrir um precedente de perseguições e abusos. O Simesp entende que situações de perseguição e desligamentos por motivações políticas são facilitadas na gestão privada de serviços e equipamentos públicos, pois os trabalhadores não possuem estabilidade para contestar suas gerências.

 

Entenda o caso
Em 24 de maio, a SPDM demitiu arbitrária e desmotivadamente o Dr. Marco Antonio da UBS Real Parque. Sem direito ao cumprimento do aviso prévio, o desligamento ocorreu dois dias antes de sua posse no Conselho Gestor da UBS Real Parque, em detrimento ao desejo da população, que o elegeu com o maior número de votos para representar o segmento trabalhador no Conselho. Já no dia seguinte (25), trabalhadores da saúde, a Associação Pankararu e moradores do Real Parque e Jardim Panorama realizaram um ato na unidade. Na mesma data, as médicas de MFC da UBS Real Parque se reuniram em assembleia e deliberaram a paralisação de suas atividades.

Um amplo movimento de apoio ao Dr. Marco Antonio tomou forma rapidamente. Diversas entidades e profissionais enviam notas de solidariedade, enquanto a comunidade atendida pela UBS Real Parque se mobiliza pela readmissão do médico.

 

Fica Dr. Marco – Dia de luta pelo SUS e pela Saúde Indígena
Os profissionais da saúde, a população do Real Parque e do Jardim Panorama, a Associação Pankararu e políticos estabeleceram uma agenda de luta contra os impactos da terceirização nas condições de trabalho do SUS. 

A partir das 10h de terça-feira (15), eles organizam um ato em frente à Câmara Municipal de São Paulo (Viaduto Jacareí, 100). Pois, horas mais tarde, haverá uma audiência pública na assembleia: “Contra as demissões e as injustiças da terceirização do SUS”, às 13h. Por fim, um ato em respeito à saúde indígena e pela reabertura do diálogo com o poder público será realizado em frente à Prefeitura de São Paulo (Viaduto do Chá, 15), às 17h.



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