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Turnê traz ao Rio, Ringo Starr

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04/11/2011 | Notícia Simesp

Turnê traz ao Rio, Ringo Starr

CIDADE DO MÉXICO – Ringo Starr entra correndo, fazendo curvas em "s", depois de badalado no microfone como "a razão para estarmos aqui". O astro de 71 anos acena, sorri, faz o sinal de "paz e amor" algumas vezes e para na frente do palco. O figurino é de um autêntico hipster de Los Angeles (onde ele mora): tênis, calça e blazer de corte moderno e óculos escuros. Recebido por dez mil pessoas que berram o tempo todo e acompanhado por uma banda batizada com seu nome, o músico canta "It don`t come easy", o segundo single da sua carreira solo, lançado em 1971, um ano depois do fim do quarteto que fez dele uma lenda.

O show na Cidade do México, na última terça-feira, era o ponto de partida da primeira turnê latino-americana de Ringo e sua All Starr Band, que vai levar o baterista a 11 apresentações – sete delas no Brasil (o artista baixa no Citibank Hall, no Rio, no próximo dia 15). Os ingressos para a largada da caravana tinham se esgotado em horas. No amontoado de barracas perto do National Auditorium, havia muito mais camisas estampando o rosto narigudo dele do que o de John Lennon. Aqui, Ringo não está na sombra dos beatles mais famosos do que ele.

– Peace and love, everybody – grita o músico, levantando os dois dedos da mão pela 11 vez em três minutos de show, antes de atacar os versos de "Honey don`t", música de Carl Perkins gravada pelo quarteto de Liverpool em 1964.

Quem vê Ringo assim, no centro das atenções, nem diria que ele era o patinho feio do grupo mais importante da história do rock. Paul McCartney e Lennon pilotavam o barco, escrevendo e cantando quase tudo. George Harrison, além de galã, era o virtuoso, gênio da guitarra. Feioso e meio acanhado, Ringo foi o último a entrar na banda, em 1962, quando John e Paul decidiram demitir Pete Best para dar lugar a um baterista de verdade. Todos reconheciam os méritos do roqueiro e o nível de sofisticação que ele deu à cozinha do quarteto. Mesmo assim, estava sempre ofuscado.

Mas o quadro é outro agora. Desde 1970, Ringo gravou 15 discos solos, muitos com colaborações dos ex-colegas (o último foi "Y not", de 2010, com participação de McCartney), emplacou hits e, no palco, estabeleceu-se como líder de banda.

Antes da terceira música do show no México, "Choose love", lançada no seu disco de mesmo nome, de 2005, o artista septuagenário corre e, com uma destreza de moleque, sobe os degraus até sua bateria Ludwig, no centro do palco, a dois metros do chão. O jeito de tocar é aquele dos anos de iê-iê-iê, dançando com a cabeça. Lá de cima, ele dá uma de maestro.

– Nossa banda reúne músicos excepcionais. Durante o show, tocamos várias canções de membros do grupo – explicou Ringo no palco, ao passar a bola para o guitarrista Rick Derringer, ex-The McCoys, que cantou "Hang on sloopy", hit dos anos 60.

Das 21 faixas do set list no National Auditorium, Ringo cantou 11. Da época dos Fabfour, só estão no repertório músicas gravadas na voz do baterista, como "Yellow Submarine", "I wanna be your man", "Act Naturally" e "With a little help from my friends". Ringo sabe que grande parte do público vai ao show mais para ver um beatle de perto do que para ouvi-lo cantar seu trabalho autoral. Mas ele não se importa. Fica lá, feliz da vida, sentado na bateria como se ela fosse a cadeira do presidente. Um detalhe engraçado: o músico não citou nenhuma vez o nome da banda de Liverpool. Ao introduzir a musica "Boys", ele disse, em tom de brincadeira:

– A primeira versão que gravei dessa música foi quando tocava na Rory and the Hurricanes e, depois, gravei de novo com a banda em que vocês todos estão pensando.

No show, o artista reveza o microfone com os senhores da All Starr. Colin Hay (líder do Men at Work), Jack Bruce (Cream) e outros astros já estiveram no grupo, mas, nesta turnê, a formação é menos estrelada. Está cheia de artistas conhecidos por uma música só, como o baixista Richard Page, do Mr. Mister, que canta o hit farofa "Broken wings", e os tecladistas Edgar Winter e Gary Wright. Quase todos tocam músicas próprias. É um espetáculo meio >ita

Na véspera da apresentação no México, numa coletiva de imprensa, Ringo falou sobre seu estilo de tocar, próprio de um baterista canhoto:

– Minha maneira de tocar é diferente porque sempre tive que criar o ritmo usando a mão esquerda numa bateria para destros – explicou ele. – A única coisa que eu faço com a mão direita é escrever, mas isso porque minha avó me obrigava. Ela achava que usar a mão esquerda era coisa do demônio.

O baterista vai ser o segundo beatle a fazer show no Rio neste ano, seis meses após as duas apresentações de Paul McCartney no Engenhão.

– Ah, Paul está sempre falando do Rio – disse Ringo, brincando. – Sei que é um lugar para se divertir. E é isso o que vamos fazer lá.