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Toquinho de volta com seu violão

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04/01/2012 | Notícia Simesp

Toquinho de volta com seu violão

No início da carreira, Toquinho teve como padrinho Vinicius de Moraes. Foi o poeta que levou o músico a fazer shows no exterior e a ser respeitado no Brasil. Há alguns anos, o compositor de Aquarela tem feito o mesmo com novas cantoras. Foi assim com a jovem cantora e compositora paulistana Tiê e está sendo agora com Anna Setton. A cantora de 27 anos, também paulistana, divide com ele os vocais nas músicas Porta do Infinito e Romeu e Julieta, no novo disco autoral de Toquinho, Quem Viver, Verá, que acaba de ser lançado pela gravadora Biscoito Fino.

O álbum sai oito anos depois do último disco de inéditas do cantor, e conta também com a participação especial de Ivete Sangalo e Zeca Pagodinho. “Fiz esse disco com muita calma e, depois de pronto, percebi que o tema predominante era a vida. O título do álbum é quase um conselho. Muita gente está viva, mas não vive a vida”, conceitua o compositor.

O trabalho traz canções inéditas, regravações e até o hino de seu time de futebol, o Namorados da Noite, arquirrival do Politheama, time do Chico Buarque. Dentre as inéditas, está o frevo Quero Você, gravado com Ivete. “Fiz pensando nela”, afirma. Das regravações, destaca-se Regra Três. “Escrevi Meu Canto e pedi para o Zeca Pagodinho cantar comigo. Ele disse que não queria, porque não tem mais vontade de decorar música nova. Daí, ele sugeriu que regravássemos Regra Três. Achei ótimo”, diz.

Outro destaque é a canção Romeu e Julieta, feita em parceria com Vinicius de Moraes. A música foi gravada recentemente no disco Toquinho e Paulo Ricardo Cantam Vinicius. O compositor conta que se lembrava da melodia, mas tinha perdido a letra. “Tenho mais de 100 composições com o Vinicius, mas tinha perdido essa letra. Até que um dia, em um clube, uma senhora veio e me mostrou a letra, perguntando se eu me lembrava dela. Foi muita coincidência.”

Aliás, sobre o trabalho com Paulo Ricardo, Toquinho ameniza as críticas recebidas pelo álbum, que é bastante eletrônico. “Quando fizemos, sabíamos que muitas pessoas não iriam gostar. As críticas são normais nesse sentido. Foi um disco polêmico.”

Paixão pelo futebol

Como Quem Viver, Verá foi um trabalho em que Toquinho gravou aquilo que queria, nada mais natural do que lançar o hino do Namorados da Noite (leia mais abaixo). “É o lado lúdico da vida. Vou ao campo de futebol e fico sonhando em ser o Ronaldo e o Adriano. É uma brincadeira que levei a sério.” Ele, no entanto, não perde a oportunidade de alfinetar o rival Politheama. “O Chico (Buarque) escreveu o hino do time dele, mas nunca teve coragem de gravá-lo. O hino até que é bonitinho. Mas não é mais bonito que o meu”, provoca.

Aliás, essa não é a primeira vez que Toquinho se aventura em hinos. Na época do Democracia Corintiana, movimento liderado por futebolistas politizados, na década de 80, ele gravou o segundo hino do clube, reconhecido oficialmente pelo Corinthians. “O Sócrates gravou comigo na época.”

Para este ano, o cantor tem planos de lançar um disco com Ana Setton. “O endosso do Vinicius foi importante para mim. E o que estou fazendo com essas cantoras é um pouco do que ele fez comigo”, diz Toquinho. O novo trabalho, ainda sem nome, será apenas voz e violão. “Ainda estamos escolhendo o repertório. Mas vamos gravar sambas antigos, os mais famosos, as unanimidades. Será um trabalho muito puro.”

A canção Porta do Infinito foi escrita pela filha de Toquinho, Jade Pecci, de 18 anos. “Ela canta super bem. Ela escreveu a letra quando tinha 14 anos e se chamava Céu. Fiz algumas mudanças na letra, mas era muito boa”, explica. A filha do compositor, no entanto, não pensa em ser cantora. “Quando Jade era pequena, estávamos no McDonald’s e várias pessoas vieram me pedir autógrafo. Ela perguntou porque estava assinando aqueles papéis. Eu disse que era porque fazia músicas que as pessoas gostavam”, recorda-se. “Ela me perguntou, então, qual era a profissão em que não precisava dar autógrafos, porque não queria fazer isso. Então, hoje, Jade procura algo em que não precise dar autógrafos”, diz, aos risos.