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Subfinanciamento e terceirização são maiores ameaças ao SUS, avaliam manifestantes em ato

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07/04/2016 | Notícia Simesp

Subfinanciamento e terceirização são maiores ameaças ao SUS, avaliam manifestantes em ato

O subfinanciamento e as diversas formas de terceirização são duas das principais ameaças ao futuro do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa foi a opinião (quase consensual) de manifestantes que se reuniram, na quinta-feira, 7, Dia Mundial da Saúde, no centro da cidade de São Paulo.

“Um dos maiores riscos ao SUS hoje é a terceirização. As organizações sociais são uma ameaça ao Sistema Único de Saúde”, avalia Péricles Batista, diretor do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo (Seesp).

“É um ato de apoio à saúde. Nós defendemos um SUS de qualidade, igualitário, um SUS para todos. E estamos aqui para reafirmar esse modelo de SUS que nós queremos”, ressalta. O Seesp, nas suas próprias contas, representa 120 mil trabalhadores em todo o estado.

Para Ana Flores, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Presidente Prudente e Região (Sintrapp), as principais ameaças “são as terceirizações e outras formas de gestão que não sejam através de concurso público efetivo.” “Caminhamos para um estado mínimo. E nós não podemos permitir que isso aconteça”, afirma.

“E também agora começa a surgir outro modelo de gestão que me preocupa muito, que são os consórcios intermunicipais”, alerta Ana Flores. Os consórcios são entidades de caráter público, que reúnem municípios de uma determinada região, e podem firmar acordos e processos licitatórios entre os seus respectivos membros.

“Eu considero que o maior problema hoje são os equipamentos públicos do governo do estado que estão sendo literalmente fechados”, avalia Raquel Plut Fernandes, uma das coordenadoras do Fórum de Saúde do Campo Limpo.

“Fecharam maternidade em Interlagos, o regional sul tá semi aberto”, denuncia, referindo-se ao Ambulatório Hospital Maternidade Interlagos e ao Hospital Regional Sul, ambos na zona sul da capital paulista. “Esse é um grande problema: o não investimento do governo do estado na cidade de São Paulo”, resume.

Raquel Plut Fernandes diz que a Prefeitura, por outro lado, tem ampliado leitos, o que ela elogia, mas critica a entrega da gestão disso nas mãos de entidades de caráter privado, ainda que, supostamente, sem fins lucrativos. “E o controle social também é muito dificultado porque não tem transparência nas organizações sociais”, denuncia.

“O SUS é fruto de atos e ações democráticas. E existe uma ameaça para a democracia. O que acarreta prejuízos imensos para a implantação do SUS”, avalia Frederico Soares Lima (ou apenas Fred), coordenador da União dos Movimentos Populares de Saúde da cidade de São Paulo (Umps).

Fred encara a falta de financiamento e a terceirização como graves ameaças ao futuro do SUS. “Eu acho que cabe a nós tá se organizando pra valorizar aquilo que a gente acredita e acha necessário para o bem-estar da população”, diz.

“Não tem como implantar o Sistema Único de Saúde, na sua totalidade, sem que haja democracia no país”, avalia o deputado estadual Carlos Neder, que já foi secretário municipal de saúde na Prefeitura de São Paulo.