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SP: médicos cruzarão braços para planos de saúde nesta quinta

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05/09/2012 | Notícia Simesp

SP: médicos cruzarão braços para planos de saúde nesta quinta

Após nove meses de negociação sem chegar a um consenso com as operadoras de planos de saúde, médicos do Estado de São Paulo farão nesta quinta-feira uma interrupção do atendimento eletivo aos planos de saúde. Foram 34 reuniões, de acordo com a Associação Paulista de Medicina (APM), em que os profissionais tentaram com que as operadoras aceitassem a pauta de reinvindicações, sem sucesso. A orientação é que os pacientes remarquem as consultas e procedimentos em outras datas.

Segundo o movimento, a paralisação tem o objetivo de denunciar "abusos dos planos de saúde prejudiciais à prática da medicina e, portanto, aos pacientes". "Serão interrompidos apenas consultas, exames, tratamentos e cirurgias eletivas que não prejudiquem a saúde do paciente. Além disso, o atendimento de urgência e emergência será absolutamente mantido", afirmou Florisval Meinão, presidente da APM. Cerca de 100 profissionais da área vestiram aventais verdes e caminharam algumas centenas de metros desde a sede da associação até a Câmara Municipal, onde entregaram um documento com as reivindicações ao presidente da Casa, o vereador José Police Neto (PSD).

Entre as reivindicações da APM, está o estabelecimento do honorário médico em R$ 80 por consulta; segundo a entidade, a remuneração atual varia de R$ 25 a R$ 60. "Um preço desses inviabiliza manter o consultório aberto", afirmou Renato Azevedo Junior, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). "Não tem reajuste anual, a gente chega a ficar dez anos sem ter nenhum reajuste, e quando tem é muito abaixo dos índices inflacionários", reclamou.

Outra reclamação dos profissionais é a respeito da interferência dos planos de saúde em procedimentos médicos, como não autorizar procedimentos, demora para autorizá-los ou cobranças indevidas de procedimentos já autorizados, exemplifica Azevedo Junior. "Tudo isso porque essas empresas visam o lucro, mas isso acarreta no prejuízo do paciente e, em segundo lugar, os médicos, que estão deixando de atender os planos."

De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) é livre a negociação entre médicos e planos sobre os serviços a serem prestados. A associação informou em nota que não tem como atribuição discutir a remuneração dos prestadores de serviços. "O movimento dos médicos é aceitável, desde que não prejudique o atendimento aos beneficiários dos planos de saúde", diz a entidade.