
No dia 17 de março, representantes do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) e do Conselho Municipal de Saúde visitaram a UBS Parelheiros, no extremo sul da capital paulista. A região sofre com desfalque crônico das equipes nas unidades básicas, o que foi observado durante a visita.
Segundo os trabalhadores do local, a unidade, que deveria funcionar com seis médicos, chegou a realizar atendimentos em determinado momento da pandemia com apenas um profissional responsável por acolher toda a demanda da população. Assim, relatos de agressão contra os trabalhadores da unidade se tornaram frequentes. Isso gera um clima de insegurança que, aliado a descaracterização da Atenção Primária à Saúde (APS) e às péssimas condições de trabalho, contribui para o não preenchimento das vagas em aberto.
Atualmente, a UBS está com desfalque de 2 médicos, uma delas afastada de suas atividades devido à gestação. Esse direito, entretanto, não foi estendido às médicas gestantes do Programa Mais Médicos, que não puderam se afastar do local insalubre de trabalho durante a pandemia.
Onde a UBS se encontra hoje, funcionava o AMA Parelheiros, que atendia toda a demanda de urgência e emergência da região, sendo referência na localidade. No final de janeiro de 2022, as atividades do AMA foram encerradas. Porém, a população segue buscando o atendimento por lá. Os trabalhadores enfrentam a sobrecarga e a falta de estrutura para o acolhimento de uma demanda de complexidade incompatível com o previsto para uma UBS.
Outra irregularidade observada na UBS é o não pagamento das horas trabalhadas aos sábados. Após a mobilização dos médicos da APS em São Paulo, em janeiro deste ano, a Prefeitura anunciou o pagamento imediato dos plantões extras realizados pelas equipes. Quando questionada, a Associação Saúde da Família (ASF), Organização Social de Saúde (OSS) responsável pela gestão da UBS Parelheiros, informou que não recebeu repasse de verbas para esse pagamento pela Prefeitura, o que é negado pela mesma. O Sindicato apresentou denúncia ao Ministério Público do Trabalho contra a OSS e a Prefeitura.
O Simesp segue na luta pela garantia dos direitos dos trabalhadores da saúde e contra o desmonte da rede assistencial do extremo sul da cidade. O Sindicato se une aos movimentos populares em defesa de uma saúde pública gratuita, universal, 100% estatal e de qualidade. Apoie essa luta, sindicalize-se!
