Simesp

Simesp repudia ação do CFM de endossar o uso de cloroquina mesmo sem comprovação científica

Home > Simesp repudia ação do CFM de endossar o uso de cloroquina mesmo sem comprovação científica
24/04/2020 | Notícia Simesp

Simesp repudia ação do CFM de endossar o uso de cloroquina mesmo sem comprovação científica

O Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) é contra a liberação do Conselho Federal de Medicina (CFM) do uso de cloroquina e hidroxicloroquina mesmo em casos leves de Covid-19 (coronavírus), apesar de o uso do medicamento não ter comprovação científica na melhora do quadro desses pacientes. A decisão do CFM é válida para pessoas com sintomas leves (em início de quadro clínico), com “sintomas importantes” (que ainda não estão internados ou sob cuidados intensivos) e em estado crítico (com cuidados intensivos, incluindo ventilação mecânica).

Tal aprovação afronta o artigo 113 do Código de Ética Médica, que diz ser vedado ao médico “divulgar, fora do meio científico, processos de tratamento ou descoberta cujo valor ainda não esteja expressamente reconhecido cientificamente por órgão competente.” Sem comprovação científica, o uso do medicamento pode piorar a condição de saúde do paciente, o que contraria o princípio bioético da não maleficência, que estabelece que o médico sempre deve causar o menor prejuízo ou agravos à saúde do paciente. Em nome da conveniência política, o CFM acaba comprometendo todos os médicos do Brasil.

Ainda, o Simesp questiona a mudança de postura do Conselho, que em 2016 foi contra o uso da fosfoetanolamina, quando o medicamento também foi utilizado de forma política sem comprovação científica e, posteriormente, as pesquisas evidenciaram que não era eficaz no tratamento do câncer.

Os membros do Conselho Federam de Medicina devem explicações à comunidade médica e ao restante da sociedade brasileira.