O Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) recebeu a palestra de lançamento do livro Baby-led Weaning – O desmame guiado pelo bebê, da editora Timo. Durante a palestra, realizada na última sexta-feira, 24, as autoras inglesas Gill Rapley e Tracey Murkett, precursoras da abordagem, explicaram que o BLW é o início do processo de desmame, desde o primeiro pedaço de comida sólida que o bebê ingere.
“Weaning é a transição gradual que um bebê faz até deixar de se alimentar exclusivamente de leite materno, um processo que pode alguns anos”, disse Gill Rapley, durante a palestra e completou: “No BLW, os alimentos sólidos não substituem o leite materno (ou a fórmula láctea infantil), mas fazem com que a dieta fique gradualmente mais diversificada”, disse Gill Rapley durante a palestra. Ela contou que durante os anos que trabalhou como enfermeira de família percebia, durante as visitas domiciliares, as dificuldades que os pais tinham em iniciar a introdução de comida sólida na dieta dos bebês, um dos motivos que despertou o interesse em estudar o assunto.
A escritora e jornalista Tracey Murkett, interessada na abordagem BLW, explicou que na maioria das famílias o desmame é guiado pelos pais, que decidem quando e como seus bebês deverão comer. “Com BLW, a intenção é permitir que o bebê guie todo o processo, usando seus instintos e habilidades, que já estão desenvolvidos quando bebê completa 6 meses, como a capacidade de pegar os alimentos com as mães e até mesmo fazer o movimento de mastigação, ampliando, inclusive, boas possibilidades para o desenvolvimento do bebê”, defende.
Tracey vai além, diz que o contato que o bebê tem com os alimentos pode proporcionar um desenvolvimento muito maior do que com brinquedos educativos. “Entre os benefícios estão o desenvolvimento da capacidade de mastigação do bebê, de sua destreza manual e da coordenação entre as mãos e os olhos” e completa ressaltando a importância social do BLW para o bebê. “Com a ajuda dos pais, ele descobre uma grande variedade de alimentos saudáveis e aprende importantes habilidades sociais, acima de tudo, ele vai gostar disso, pois estará mais contente e confiante por fazer suas refeições junto de sua família.”
Recomendação da SBP
O médico Moises Chencinski, presidente do departamento científico de aleitamento materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo acompanhou a palestra realizada no Simesp. Após a apresentação das autoras, Chencinski concedeu entrevista para a reportagem do Simesp, quando relatou que o departamento cientifico de Nutrologia e Suporte Nutricional da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou em maio deste ano o documento A Alimentação Complementar e o Método BLW (Baby-Led Weaning) no qual aborda os pontos favoráveis e alguns riscos dessa abordagem. “É sempre bom ouvir quem criou porque elas demonstraram aqui, por meio de dados científicos, que não precisamos ter muito medo com esses ‘riscos’, lógico que cada caso tem que ser analisado individualmente”, avaliou o pediatra.
O pediatra completou: “Já faz parte do manual de orientação de nutrologia o contato da criança com o alimento, o conhecimento da criança a respeito da comida, o respeito ao alimento, a variedade e as várias possibilidades que a criança deve ter.”
Chencinski também lembrou que o médico deve sempre alertar a importância do aleitamento materno exclusivo até o 6º mês de vida e a introdução alimentar em um momento que a criança está preparada neurológica e fisiologicamente para essa etapa. “Essa avaliação pode ser feita por um conjunto de profissionais, não é só o pediatra, é o nutricionista, o fonoaudiólogo… Para que a criança possa aproveitar ao máximo o aleitamento materno e uma introdução alimentar saudável que possa acompanhar esse desenvolvimento da criança”.
Alimentação infantil
O evento sobre o BLW não é o primeiro que aborda amamentação e alimentação infantil que o Sindicato dos Médicos de São Paulo recebe em sua sede na capital paulista. Em novembro do ano passado o pediatra Carlos Gonzales iniciou no Simesp sua turnê de lançamento no Brasil de seu último livro, Meu Filho Não Come, também da editora Timo.
Esses eventos são resultado de uma política da diretoria do Sindicato em valorizar a amamentação e a mãe médica trabalhadora. “O Simesp, além de defender o médico e seu trabalho, se preocupa com a questão social, com o desenvolvimento dos cidadãos e por isso que ajudar a divulgar boas práticas de saúde”, ressaltou Denize Ornelas, secretária geral do Sindicato, durante a abertura do evento.
*As declarações das autoras foram baseadas na tradução simultânea que houve durante o evento.
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