A supervisão no programa Mais Médicos foi debatida na noite de 26 de março pelo professor associado da Universidade Federal de São Carlos, Giovanni Gurgel Aciole. O Simesp promoveu a discussão em função do impacto provocado pelo programa no Brasil e também pelas deficiências que apresentam, como nas relações de trabalho.
Tutor do Programa Mais Médicos para o interior do estado de São Paulo, Aciole explicou o funcionamento técnico da tutoria e supervisão da qual é responsável. São 550 médicos para cerca de 60 supervisores que atendem cidades como Limeira e São José do Rio Preto. “Nosso compromisso é zelar pelas especificações da lei, acompanhar se o médico está atendendo na atenção básica, premissa do programa, se está frequentando o curso de especialização (a jornada do médico é de 40 horas, sendo 32 horas em atividades assistenciais e 8 horas dedicadas à especialização), se trabalha em condições adequadas etc”, informou.
Uma das críticas levantadas no debate foi a precarização do trabalho. O presidente do Simesp, Eder Gatti, lembrou que o programa se apresenta como uma pós-graduação, com tutoria e supervisão, comparando-o com a residência médica. “Eles atendem pacientes e fica muito clara a relação de trabalho, mas recebem bolsa. Esses profissionais estão excluídos dos direitos trabalhistas”, alertou.
Por outro lado, o professor Aciole defendeu o programa afirmando que o mesmo tem atendido sua finalidade. “O grande mérito é ter levado médico onde não havia. Embora tenha identificado problemas pontuais como alocação inadequada, por exemplo, a maioria tem atuado nas unidades de saúde da família de regiões periféricas de grandes e médias cidades e também em pequenos municípios do interior”, disse.