O Sindicato dos Médicos de São Paulo recebeu com profundo pesar a notícia do falecimento, no último sábado, dia 7 de janeiro, de José Caires Meira, presidente do Sindicato dos Médicos da Bahia, vítima de um infarto agudo fulminante do miocárdio. “Parte Caires, de forma abrupta e prematura. Choca-nos a todos. Não nos cingiremos aos lamentos, há que se reverenciar sua memória e a maior reverência a prestar-lhe é aprofundar a luta por todos os preceitos que defendemos”, manifestou-se o presidente do Simesp, Cid Carvalhaes, por meio de carta endereçada aos colegas da Bahia. Caires era presidente desde 2007, mas havia ingressado nos anos 1990, ocupando cargos de secretário-geral e vice-presidente. Foi reeleito presidente em 2010.
O destaque de sua gestão foi o crescimento da estrutura da instituição, com a implementação da Assessoria Jurídica e Contábil, ampliação dos convênios do Cartão de Vantagens e aquisição da sede própria.
No movimento médico, o sindicato atuou em várias frentes, como na luta pela realização e concretização do Concurso para médicos do Estado, paralisação dos planos de saúde para implantação da CHBPM, aprovação do PCCV dos médicos da SESAB, pelo qual ele lutou pela sua correta implantação até os últimos dias de sua vida.
Segundo os colegas e todos que conviveram com ele, era um exemplo de perseverança e luta pelo que acreditava e julgava correto, sintetizado no lema com o qual terminava as suas intervenções: "Doutor, o remédio é lutar!"
Um pouco da sua história
Nascido no município de Dom Basílio, passou a infância e a adolescência em Livramento de Nossa Senhora do Brumado. Mudou-se para Salvador, onde trabalhou como fotógrafo na Secretaria de Comunicação do governo Roberto Santos, período em que já começava a despontar o seu lado militante, ao atuar em defesa dos estudantes na residência estudantil do município de Livramento e nos cursos pré-vestibular.
Em 1979 passou no vestibular para medicina na Escola Baiana da Medicina. Durante o curso ingressou no PC do B, um partido ainda na clandestinidade, passando a participar ativamente no movimento estudantil e da luta pelo fim da ditadura militar.
Já como médico foi um dos fundadores da União da Juventude Socialista, onde se destacou como um de seus principais dirigentes.
Repercussão
"Caires tinha uma postura de tentar agregar e ampliar cada vez mais força à luta em defesa da nossa categoria. Toda semana ele passava nas bases, que era como ele chamava os hospitais.” – Francisco Magalhães, vice-presidente do Sindimed-BA
"Caires sabia fazer sindicalismo como ninguém. Combativo e sóbrio nas discussões, ele com certeza fará muita falta. Desejo que ele vá em paz, sabendo que a luta continua." – Antonio Carlos Vieira Lopes, Presidente da Associação Bahiana de Medicina
"Caires deixa um exemplo de luta e dedicação a causa socialista, além de nos mostrar a importância da família e da poesia para a vida de todo ser humano. Deixa uma lacuna que nunca será preenchida.” – Aladilce Souza, vereadora pelo PCdoB
“Viemos nos despedir de Caires, que foi um companheiro. Agradecemos por tudo que ele realizou de bom para a classe médica. Ele era uma pessoa inquieta, que lutava sem medir esforços por melhores salários e condições de trabalho, e se preocupava com a população, que sofre com uma saúde pública precária.” – Geraldo Ferreira, presidente Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte
"Foi combativo, perseverante, fiel aos seus princípios, convicto democrata em seus embates, duro na defesa da saúde do povo brasileiro, do sindicalismo médico e dos ineresses diretos dos médicos baianos e brasileiros. Se fez presente onde necessário foi. Combateu, com especial exemplo o combate dos honrados, dos dignos, dos coerentes. Divergiu muito, convergiu em muito maior importância, lutou sempre, não se eximiu, deixando-nos legado de respeito, consideração e acima de tudo, exemplo a ser seguido.” – Cid Carvalhaes, presidente do Simesp e da Fenam