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Simesp é contra o retorno imediato dos campeonatos de futebol

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21/08/2020 | Coronavírus

Simesp é contra o retorno imediato dos campeonatos de futebol

Após aproximadamente três meses de paralisação, os jogos de futebol voltaram no Brasil no dia 18 de junho. O Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) se posiciona contrário ao retorno dos campeonatos. A Covid-19 (coronavírus) já vitimou fatalmente mais 100 mil pessoas no país, que possui altas taxas de subnotificação e que não está próximo do controle da pandemia. Até a última quarta-feira, 19 de agosto, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) já havia afastado 116 jogadores em apenas três rodadas de teste.

“Mesmo sem a presença das tradicionais torcidas de futebol, a volta dos jogos representa um quadro alarmante de risco para jogadores, familiares e outros trabalhadores que responsáveis pela realização aos campeonatos no Brasil, sendo mais um foco de disseminação da doença”, explica Daniela Menezes, diretora do Simesp. Além disso, com a volta do Brasileirão, no dia 8 de agosto, um novo cenário surgiu no país: um grande número de pessoas tem se deslocado entre cidades e estados em tempos de pandemia. Ainda que a CBF tenha colocado em prática um protocolo de testagem por rodadas, em que jogadores e comissão técnica são testados 72h antes de cada partida, o retorno dos jogos ainda representa insegurança e grandes possibilidades de infecção.

Segundo Maria Célia Guerra Medina, médica sanitarista e epidemiologista, o sistema de testagens não garante a não transmissão do vírus nos clubes. “Jogadores que testam positivo não entram no jogo em si, mas o fato de só entrar em campo quem testou negativo não significa que estes não tenham sido contaminados, uma vez que existe uma alta taxa de falso negativo e há um tempo de alguns dias entre a contaminação e o resultado positivo, mas as partidas costumam ocorrer a cada três ou quatro dias”, explica a médica. Ainda de acordo com ela “estamos falando de pessoas que viajam pelo país afora, levando o vírus de cidade em cidade, de estado em estado”.

A epidemiologista ainda ressalta que os jogadores podem ser jovens e fortes, mas o esporte que eles praticam é de alto impacto e intensidade. Isso significa que um jogador, mesmo saudável e com o teste dando falso negativo, passa por alto risco porque a recomendação principal quando se contrai o vírus é estar em repouso. Por essa razão a probabilidade por eles terem problema em decorrência da doença é maior

Outro aspecto importante são os familiares, apoio técnico, equipe de arbitragem e até mesmo jornalistas que cobrem estes eventos. Mesmo que os jogadores sejam jovens e é esperado que gozem de boa saúde, o contato com outras pessoas é inevitável o que as coloca em grande risco, explica Célia.