O Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) denunciou ao Ministério Público Estadual, em janeiro passado, a inoperância de mais da metade dos leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital do Conjunto Hospitalar do Mandaqui, o maior da zona norte de São Paulo.
Dos 40 leitos disponíveis, apenas 14 estão em funcionamento por falta de médicos. A exemplo do que vem acontecendo em muitos hospitais estaduais, a falta de concursos públicos somada à carreira com pouco apelo aos médicos têm trazido prejuízos, não só aos profissionais, como no atendimento a toda população.
No caso específico do Mandaqui, hospital considerado referência no atendimento a politraumatizados, o governo estadual autorizou a terceirização de médicos ao contratar a organização social (OS) Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), mas a instituição subcontratou uma empresa que está provendo médicos sem vínculo empregatício para trabalharem na UTI.
Por sua vez, os médicos concursados como intensivistas foram deslocados para o atendimento na unidade semi-intensiva e enfermaria de clínica médica.
O Sindicato tem acompanhado de perto a situação no Mandaqui tendo, inclusive, relatado o problema à Secretaria de Estado da Saúde. A instituição tem cobrado firmemente do governo estadual a reformulação da carreira médica, reajuste salarial – que não acontece desde 2013 – e novos concursos públicos.