O modelo seria estruturado de forma semelhante ao funcionamento das filas de transplante de órgãos no Brasil, que seguem critérios de gravidade do quadro e incluem pacientes com ou sem plano de saúde. Desta forma, o governo federal requisitaria as vagas de UTI ociosas, que passariam a receber pacientes do SUS mediante um repasse indenizatório.
A medida emergencial é prevista em lei no Brasil e já foi adotada por diversos países europeus durante a pandemia de Covid-19 (coronavírus). Para Juliana Salles, diretora do Simesp, unificar a fila de leitos é garantir chances iguais de atendimento em superação às desigualdades socioeconômicas. “Para nós, médicos, a disparidade de atendimento é um risco porque é escolhido quem vive e quem morre, baseado em quem pode ou não pagar por um plano privado de saúde”, explica Juliana.
A decisão leva ainda em consideração o cenário de subfinanciamento do SUS, agravado nos últimos anos pela Lei do Teto dos Gastos, pela redução do número de leitos de UTI desde 2008, além do crescente desemprego no país, que leva os trabalhadores à informalidade e à perda de seus planos de saúde empresariais.