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Simesp Debate reforçou luta contra políticas que criminalizam migrantes e defendeu ações públicas humanizadas

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05/11/2025 | Notícia Simesp

Simesp Debate reforçou luta contra políticas que criminalizam migrantes e defendeu ações públicas humanizadas

O Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) realizou na última terça-feira (4/11) mais uma edição do Simesp Debate, com o tema “Migrar é um Direito, Não Delito. O encontro reuniu pesquisadores, lideranças sociais e representantes de movimentos ligados à pauta migratória para discutir os impactos das políticas de deportação e criminalização de migrantes e o papel do Brasil na defesa dos direitos humanos e da vida.

Mediado por Jaime Torrez, representante do Simesp, o evento reforçou o compromisso do sindicato com a luta pela dignidade e pela soberania dos povos. “O movimento sindical precisa ser um defensor natural dos direitos humanos, do direito à vida e à cidadania. A perseguição a migrantes é também uma forma de ataque à classe trabalhadora”, afirmou Torrez, destacando que a luta por uma sociedade justa passa pela solidariedade internacional.

A camaronesa presidenta do Conselho Municipal de Imigrantes de São Paulo, Constance Salawe, destacou os avanços e desafios nas políticas locais de participação. “Ainda enfrentamos muitas barreiras, mas a inclusão dos imigrantes nos conselhos participativos e o direito de votar e ser votado já são passos importantes. Precisamos continuar avançando na construção de políticas migratórias mais humanizadas”, disse. 

Em termos de avanço na cidade de São Paulo, Salawe destaca o fato de os estrangeiros terem uma cadeira no Conselho, o que lhes garante voz e voto. “Eu falo aqui não somente como presidente do CMI, mas como uma voz que veio do outro lado do Atlântico, que deixou sua terra natal para plantar em outro lugar. Nós amamos e investimos nesta cidade, somos trabalhadores e estamos lutando para ter os mesmos direitos dos cidadãos daqui”, afirma. 

Em participação por vídeo, o pesquisador e fundador do Instituto Diáspora Brasil (IDB), Álvaro de Castro Lima, apresentou um panorama da comunidade brasileira nos Estados Unidos. Ele denunciou a violência e o clima de perseguição enfrentado por imigrantes sob a política migratória estadunidense, especialmente durante a gestão do presidente Donald Trump. “Vivemos uma crise humanitária sem precedentes. Brasileiros e outros imigrantes são caçados nas ruas como criminosos, embora sejam trabalhadores que geram riqueza para o país, contribuindo com bilhões em impostos e revitalizando cidades inteiras”, destacou.

O pesquisador, João Victor Martins Machado, analisou o cenário nos Estados Unidos, destacando como a imigração tem sido usada como instrumento político. “A perseguição ao imigrante foi transformada em ferramenta de controle social. O mesmo aparato criado para reprimir estrangeiros é, muitas vezes, usado depois para reprimir o próprio povo”, pontuou.

A advogada Carla Mustafa, coordenadora do Núcleo de Pessoas Migrantes e Refugiadas da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP, alertou para o avanço de políticas que tratam a migração como questão de segurança pública. “Precisamos reafirmar que migrar é um direito humano. Fechar fronteiras e criminalizar pessoas em busca de proteção ou melhores condições de vida é uma afronta à dignidade humana”, afirmou.

Na mesma linha, Roque Renato Pattussi, diretor executivo do Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (Cami), relatou que mais de 250 pessoas foram resgatadas de condições análogas à escravidão nos últimos três anos, entre elas imigrantes e refugiados. “Essas pessoas precisam de políticas públicas de acolhimento, documentação gratuita, moradia e oportunidades de trabalho”, enfatizou.

Esta edição do Simesp Debate é um desdobramento da Conferência Continental em Defesa dos Migrantes, realizada em setembro no México, e é um preparativo para uma jornada sobre o tema que deve ser realizada em março pelo países participantes da Conferência, como de dar visibilidade ao tema imigração como um direito humano, não como problema de segurança pública. “Discutir a migração é também discutir saúde, trabalho e dignidade humana. O Simesp reafirma seu papel como entidade que defende todos os que lutam por um mundo sem fronteiras para o cuidado e para os direitos”, destaca Torrez.

O debate pode ser visto na íntegra, em nosso canal no YouTube