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Simesp apoia paralisação de estudantes da FMUSP e denuncia riscos de mercantilização na formação médica

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14/04/2026 | Notícia Simesp

Simesp apoia paralisação de estudantes da FMUSP e denuncia riscos de mercantilização na formação médica

O Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) manifesta apoio à paralisação dos estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), que vêm denunciando mudanças recentes na condução da formação médica e alertando para os riscos à qualidade do ensino e ao caráter público da universidade. A suspensão das atividades ocorre nesta terça-feira dia 14 de abril.

A mobilização coloca em debate medidas que, segundo os estudantes, vêm sendo implementadas sem diálogo adequado com a comunidade acadêmica e que podem aprofundar desigualdades na formação, além de introduzir uma lógica de mercado em estruturas públicas de ensino e assistência. De acordo com os relatos apresentados pelos estudantes, a paralisação buscou dar visibilidade a transformações que impactam diretamente o acesso às atividades práticas e a organização do ensino no hospital-escola. 

Entre as principais reivindicações dos estudantes está o fim do programa “Experiência HCFMUSP na Prática”, que comercializa a estudantes de outras faculdades uma vivência de um mês no Hospital das Clínicas. Na avaliação dos estudantes, trata-se de um processo de mercantilização e privatização do ensino público, sem critérios transparentes de seleção, que permite o acesso pago a estruturas formativas de uma instituição pública.

Além disso, chama atenção o fato de que, em um período curto de um mês, os participantes já realizariam procedimentos práticos em pacientes do hospital — enquanto os estudantes da própria universidade passam por formação progressiva, com acompanhamento de professores, preceptores e residentes antes de iniciarem atividades assistenciais. “O uso de um hospital público como espaço de formação deve estar subordinado ao interesse coletivo e a critérios pedagógicos rigorosos. A introdução de práticas pagas nesse contexto configura uma distorção que pode comprometer a qualidade da formação e a segurança do atendimento”, afirma Juliana. 

O Simesp reforça que a qualidade da formação médica está diretamente ligada à qualidade da assistência prestada à população e ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde. A entidade também destaca a importância da mobilização estudantil como instrumento legítimo de participação e defesa do ensino público. A luta dos estudantes aponta para um debate central: qual modelo de formação médica queremos para o país. Defender o ensino público é defender o SUS e o direito da população a um atendimento digno e seguro”, conclui Juliana.

Para o Simesp, o movimento revela uma preocupação legítima e urgente. “A formação médica exige critérios pedagógicos rigorosos, supervisão qualificada e compromisso com a segurança dos pacientes. A introdução de práticas que fragilizam esses princípios representa um risco não apenas para os estudantes, mas para toda a sociedade”, destaca Juliana Salles, secretária geral da diretoria plena do Simesp. 

Outras lutas dos estudantes

Entre as medidas adotadas pela USP de forma unilateral está a proibição de atividades comerciais, importantes para o sustento de centros e diretórios acadêmicos. Para os estudantes, a medida visa retirar autonomia financeira das entidades estudantis. Além de retirar as principais formas de autofinanciamento das representações estudantis, coloca no encargo das entidades, os gastos com manutenção dos espaços, como água e luz. 

Os estudantes também pedem o fim dos refeitórios universitários nas mãos da iniciativa privada, tendo em vista que constantemente são encontradas larvas nos alimentos, além dos utensílios serem mal higienizados.