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Selton Mello fala da alegria de ser o dono da própria carreira

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28/10/2011 | Notícia Simesp

Selton Mello fala da alegria de ser o dono da própria carreira

Em seu segundo filme como diretor, Selton Mello, de 38 anos, deixa de lado as diversas referências cinematográficas que incluiu em Feliz Natal (2008) para criar, de forma mais autoral, a história de O Palhaço. O resultado é um filme leve, engraçado e com maior potencial comercial que Feliz Natal.

Ao JT, Selton, que também atua no longa, falou de sua carreira e da liberdade criativa que goza há 12 anos, desde quando decidiu não renovar seu contrato fixo com a Globo e só fazer trabalhos esporádicos na emissora.

Em O Palhaço, vemos referências que vão de Federico Fellini a Wes Anderson. O que pesquisou para fazer esse novo longa?

Gosto de Wes Anderson. Mas gosto mais de Ettore Scola e de filmes como Feios, Sujos e Malvados e A Viagem do Capitão Tornado. Na verdade, me desliguei das referências. No meu primeiro filme, Feliz Natal, senti que fui soterrado pelas minhas próprias referências. Neste novo, fiquei mais displicente com relação a elas. Gosto desses caras todos, mas estava querendo contar minha própria história. Me senti mais livre.

Como foi trabalhar com o Paulo José, que convive com o mal de Parkinson há muitos anos?

Ele encara tudo com altíssimo astral. É um grande companheiro de trabalho. O que acontece é que ele sabe como lidar com a própria dificuldade. Ele se adequou ao ritmo do filme. Estava ótimo.

Hoje, você decide o que fazer de sua carreira. Isso te faz mais realizado e feliz?

É uma realização enorme. É uma alegria poder pensar numa historia como essa e chegar até aqui, agora, nessa entrevista. E digo mais: Benjamim é um dos personagens mais lindos e importantes da minha carreira. Ao lado de Chicó, do Auto da Compadecida, André, do Lavoura Arcaica, e Lourenço, do Cheiro do Ralo.

Quando você está na TV como ator, dá pitacos na direção?

Sempre fui curioso e colava no fotógrafo. Queria saber que lente ele usava, por que iluminava daquele jeito e não de outro. Sempre fui interessado. Sempre dei opinião também. A diferença é que agora eu dirijo.

Na série de TV Mulher Invisível, você é o diretor, mas, no cinema, foi dirigido. Como foi essa interação?

No filme, era o Claudio Torres quem mandava. Sei bem meu lugar e não é porque virei diretor que vou sair dando pitaco.

É difícil atuar e dirigir ao mesmo tempo?

Para mim, é natural. Para quem está de fora que é uma doideira. Estou o tempo inteiro dentro e fora de cena. Quando estou dirigindo e atuando e percebo que algo saiu errado, paro de atuar e mando voltar. Mas eu estou no início da minha trajetória.

Já dá para dizer se você vai seguir a carreira de diretor ou vai continuar atuando?

Estou gostando mais de dirigir. Você pensa em mais coisas, fica mais criativo e o ato da criação é o momento mais rico para um artista. Dirigir e atuar são duas coisas distintas que me dão muito prazer.

Wagner Moura está em Hollywood. Quando vai para lá?

Vontade, eu tenho. Mas sou muito grato com o que conquistei no Brasil. O que não tenho vontade de fazer é parar tudo o que conquistei aqui para começar de novo lá. Já tenho quase 40 anos e ficar seis meses em Los Angeles fazendo teste, me apresentando, não dá.

Você recusa convite para novelas?

Não gosto da palavra “recusa”. É uma palavra forte. Não sou contratado da Globo há 12 anos. Sou livre. Posso fazer TV, como faço bastante, mas de uma maneira livre. O grande problema de novela é a duração. É muito tempo.

Por que convidou Moacyr Franco para o filme?

Amo o Moacyr. Assisto a ele desde a infância. Quando escrevi o filme, eu disse que iria chamar o Moacyr, aquele cara que eu via na TV com meu pai. É bonito ver ele sendo redescoberto ou descoberto por quem nem sabia da carreira dele.