Em matéria publicada ontem, dia 24, no Metro Jornal, foi divulgado que faltam 2.360 médicos na rede pública da capital, os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação. Em resposta, o secretário municipal de Saúde de São Paulo, Wilson Pollara, afirmou que “o prejuízo no atendimento é causado por médicos contratados que faltam ao serviço, não por não ter médicos”. O Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) repudia a fala do secretário, que culpabiliza médicos pela má gestão dos serviços.
A fala de Pollara é um desrespeito com a categoria. Tanto médicos concursados, que trabalham na administração direta, ou de organizações sociais, são obrigados a trabalhar com péssimas condições em serviços que contam com o desabastecimento de insumos. Mesmo com condições adversas impostas pela prefeitura, os médicos se esforçam ao máximo para oferecer assistência de qualidade para a população.
Atualmente a maioria dos médicos que trabalha na rede da prefeitura são contratados por organizações sociais (OSs), que possuem ponto eletrônico. Esses médicos não só cumprem com a produtividade exigida pela OS, como também seguem a exigência de assiduidade, feita pelos empregadores.
A falta de profissionais médicos no município de São Paulo acontece porque a prefeitura não tem uma política clara de provimento de recursos humanos na saúde. Existe uma demanda por novos concursos públicos, a prefeitura não chama médicos já aprovados em concursos vigentes (não cumprindo sua promessa de campanha) e cada organização social tem a própria política de recursos humanos, o que dificulta a organização do trabalho médico no município.
A Secretaria de Saúde, ao culpabilizar o próprio profissional pela falta de médicos, demonstra um imenso desrespeito para com os profissionais dessa categoria. Com essa atitude, o secretário demonstra também desrespeito com a população e descaso com a saúde.