Trinta dos 96 distritos da cidade de São Paulo não possuem um único leito hospitalar. A diferença, em número de leitos, entre o distrito em melhor e pior situação alcança 888 vezes. Esses foram alguns dos resultados do Mapa da Desigualdade, apresentado na manhã dessa terça-feira, 19, pela Rede Nossa São Paulo. Na média, em toda a cidade, a capital paulista tem 2,99 leitos hospitalares (entre públicos e privados) para cada mil habitantes. O Ministério da Saúde recomenda número de 2,5 a 3 leitos. Contudo, a desigualdade da oferta, entre os distritos, é enorme.
Enquanto o Jardim Paulista (que abrange a região nobre conhecida como Jardins, na zona oeste) possui 35,53 leitos para cada mil habitantes, o distrito de Vila Medeiros (zona norte) tem meros 0,04 (uma diferença de 888 vezes). Para cada indicador avaliado, a Rede Nossa São Paulo aponta a diferença entre o melhor e o pior distrito (o chamado “desigualtômetro”).
O número de distritos sem um único leito hospitalar se manteve estável desde 2009. Naquele ano, eram 28 distritos sem oferta de leitos. Em 2012, o número subiu para 31. Entre os anos de 2013 e 2014 (último período avaliado), ele caiu para 30 distritos. “A importância de olhar para o Mapa da Desigualdade é para que se elejam prioridades a partir dos próprios números oficiais”, concluiu Mauricio Broinizi, da Rede Nossa São Paulo, responsável pela apresentação do Mapa.
Gravidez na Adolescência
“Outro indicador importante, que revela muito sobre as condições de desigualdade da cidade é o indicador de gravidez na adolescência, que são as mães de 19 anos ou menos sobre o total de nascidos vivos na cidade”, explica Broinizi. Marsilac, no extremo sul de São Paulo, tem o recorde: 26,61 bebês nascidos de mães adolescentes. Em Moema, área nobre da capital, o mesmo índice não alcança sequer um bebê (0,585). “Desigualtômetro” de 45 vezes.