10/08/2010 | Notícia Simesp

Santo Antonio do Pinhal: menos agito, muito charme


A bela Serra da Mantiqueira, no Vale do Paraíba, apresenta inúmeras possibilidades para um delicioso final de semana, seja a dois, sozinho ou em família. Frio, boa gastronomia e a natureza verde e estonteante das montanhas são marcas da região. E é nesse paraíso que está situada a pequena cidade de Santo Antonio do Pinhal, alternativa pra quem quer desfrutar do inverno mas pretende ficar bem longe do tradicional agito e consumismo exacerbado das cidades mais badaladas.

A uma altitude de 1.143 metros, é comum no inverno os termômetros registrarem temperatura próxima ou menor que 0°C, o que pode provocar geadas, modificando a paisagem natural. Na bolsa, além de casacos e botas, leve agasalhos e tênis afinal de contas a estância climática investe nas modalidades de turismo rural, ecológico e aventura. Muitas trilhas cortam a mata conduzindo o visitante a cachoerias exuberantes de águas cristalinas. O descanso e a contemplação são recompensa para quem aceitou o desafio. Não há outra escolha se não parar e ouvir o barulhinho da água descendo entre as pedras, curtir a canção dos passarinhos e observar a diversidade da nossa Mata Atlântica, que apesar das investidas cruéis do homem, luta cotidianamente para se manter viva.

Uma das cachoeiras mais visitadas é a do Lajeado. Está a sete quilômetros do centro da cidade com acesso por estrada de terra (não há necessidade de carro especial). No local há infra-estrutura básica (banheiro, áreas para churrasco e piquenique) e belas trilhas na mata. É cobrada taxa simbólica de manutenção. Já na Cachoeira do Funil, no bairro do Rio Preto, considerada uma das mais belas e curiosas da região, um fenômeno chama a atenção: um rio de água abundante desaparece por baixo da terra, reaparecendo 500 metros mais a frente, formando uma pequena piscina natural, própria para banho.

Aos amantes de esportes radicais, não deixe de visitar o Pico do Agudo, ideal para a prática do vôo livre, tanto de parapente como de asa delta. Dizem os praticantes que “o Pico Agudo é o único local onde dá vôo o ano todo”. Mas atenção, não é exclusivamente para aventureiros, se você faz o tipo que gosta de saber onde está pisando (de preferência em terra firme), fique tranquilo o Pico do Agudo também é ideal para você. Dono de uma vista panorâmica privilegiada, é o único pico de altitude (1.700 metros) na América Latina que proporciona vista de 360°. Dali podem ser avistados a Pedra do Baú em São Bento do Sapucaí; o Vale do Paraíba, podendo, em dias claros, visualizar a cidade de São José dos Campos e até a Basílica de Nossa Senhora Aparecida. Está a apenas nove quilômetros do centro e o acesso é por carro.

O pinhão

Na Mantiqueira, não importa a direção do olhar, sempre haverá uma araucária compondo a paisagem. Árvore típica da região cresce majestosa em meio as montanhas, suas copas altas e imponentes lembram o formato de um cálice. É dela que nasce o saboroso pinhão, muito utilizado na culinária da região, faz par perfeito com a truta, o famoso peixe das águas frias. O nome da cidade é uma homenagem às diversas espécies de araucária encontradas no município.

Para divulgar as interessantes possibilidades do uso do pinhão na gastronomia, há na cidade uma festa típica que leva o nome da semente (pinhão é a semente da pinha), realizada sempre no mês de maio. Nas barracas doces, caldos, pães, pastéis e muitas outras guloseimas ajudam aquecer o friozinho da noite em Santo Antonio do Pinhal. A Festa do Pinhão também tem atrações musicais que animam o público.

E que tal uma pescaria na serra da Mantiqueira? Passar o dia ao lado de um tanque de trutas, pescar o peixe e saboreá-lo ali mesmo pode ser, sem dúvida, uma excelente escolha. Há pesqueiro com restaurante que oferece esse tipo de serviço – o peixe pescado é pesado, limpo e transformado num delicioso prato a escolha do freguês.

História

A cidade também guarda um tesouro histórico da rede ferroviária: a pequena estação de trem Eugênio Lefèvre. O nome é uma homenagem ao engenheiro que juntamente com Euclides da Cunha projetou a ferrovia, nunca construída, que ligaria Mogi das Cruzes ao porto de São Sebastião. Inaugurada em 1919, hoje é conhecida como “Estação do bondinho” e seus trilhos atendem exclusivamente ao transporte turístico. Dali partem trens até Campos do Jordão. No percurso de 14 quilômetros, faz paradas em diversos pontos turísticos, como no ponto culminante ferroviário do Brasil, no Alto do Lajeado, a 1743 metros. Aproveite para observar a flora, a fauna e relaxar com o ar puro das montanhas.

Antes da partida, porém, não deixe de experimentar o famoso bolinho de bacalhau servido no café da estação. Ao lado, também funciona uma loja de artesanato com opções de suvenires; um pouco mais a frente há um orquidário, com diversas opções da espécie, entre elas a curiosa orquídea com aroma de chocolate. Ainda na região da estação Eugênio Lefèvre está o Mirante Nossa Senhora Auxiliadora, situado num dos pontos mais altos da Serra da Mantiqueira.

Seja lá o que você procura – vista deslumbrante, descanso bem no alto da montanha ao som dos ventos, mata verde ou muita adrenalina, hotéis e pousadas confortáveis (atendem aos gostos dos mais simples ao luxuoso) -, não importa, a cidade de Santo Antonio do Pinhal vai fazer sua cabeça e conquistar seu coração. Ah! E não se esqueça, na volta pra casa não deixe de comprar pacotinhos de pinhão vendidos na beira da estrada pela população local. Boa viagem!

Monteiro Lobato e o mundo encantado

Estando em Santo Antonio do Pinhal, reserve um dia para conhecer a cidade vizinha Monteiro Lobato, a cerca de meia hora de carro. O pequeno município de 3800 habitantes é rodeado por montanhas e privilegiado pelas belezas naturais, sendo seu rios e cachoeiras fortes atrativos turísticos.

O nome é uma homenagem ao seu mais ilustre morador, o escritor Monteiro Lobato. Lá está a casa onde o autor teria se inspirado para compor personagens inesquecíveis como o Jecatatu, a Emília e o Visconde de Sabugosa. Conhecido como Sítio do Pica-Pau Amarelo (a 8 quilômetros do Centro), o casarão de 1880 preserva alguns móveis da época de Lobato, distribuídos entre os dezoito cômodos da casa.

Do lado de fora, um mundo de imaginação ganha força. Pirlimpimpim, pirlimpimpim! Pronto, lá no fundo do quintal está o Reino das águas claras, riacho com direito a cachoeira, que inspirou Lobato a escrever uma das suas principais obras. No chão de terra, galinhas, perus, gatos, cachorros e cavalos dividem o mesmo espaço, vivendo em harmonia; passarinhos graciosos surgem do meio de árvores centenárias; e das árvores nascem deliciosas frutas como manga, jabuticaba, carambola… Conhecendo o Sítio do Pica-Pau Amarelo podemos compreender a verdadeira fonte de criação para as tantas histórias do escritor.

Nas ruas pacatas de Monteiro Lobato, pode-se caminhar tranqüilamente, tomar um sorvete e porque não parar para um dedinho de prosa com os moradores que descansam nas pracinhas rodeadas de árvores centenárias como as coloridas Sibipirunas, espécie em extinção. Depois, visite as lojinhas de artesanato na Praça Deputado Cunha Bueno, onde também está situada a sede da prefeitura municipal, construção do início do século 20. O trabalho das artesãs é essencialmente baseado nos personagens de Monteiro Lobato: bonecas da Emília, Narizinho, Saci; toalhas e guardanapos bordados, entre outros.

No centro, também está localizada a igreja matriz Nossa Senhora do Bonsucesso, com 150 anos é revestida com pinturas do santíssimo sacramento representado em arte barroca. Em Monteiro Lobato, vale destacar ainda a forte preservação da cultura popular por meio dos grupos folclóricos de danças como a catira (marcada por passos firmes e palmas sincronizadas) e o Moçambique (de origem africana). Vale a pena conhecer.

Serviço

Sítio do Pica-Pau Amarelo (12) 9711-3748. E-mail marialucia.picapauamarelo@gmail.com. Taxa de entrada: R$ 5,00.

Créditos

Fotos Santo Antonio do Pinhal: Crédito – Fabiano Oliveira
Fotos Monteiro Lobato: Crédito – Dino Santos



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