O superintendente da Santa Casa, Irineu Massaia, pediu um voto de confiança aos médicos se comprometendo a honrar os próximos pagamentos. Durante a assembleia dos médicos, realizada na manhã da sexta-feira, 23, Massaia também confirmou a demissão de 1.100 trabalhadores, sendo 60% do pessoal do administrativo e 40% da assistência e apoio.
Para o superintendente há um “inchaço” de funcionários e as demissões representarão economia de R$ 4 milhões na folha de pagamento. “A redução não representará prejuízos no atendimento”, justificou.
Por outro lado, a secretária-geral do Simesp, Denize Ornelas, ressaltou que com as demissões poderá haver sobrecarga de trabalho aos que permanecerem na instituição.
Com algumas mudanças de gestão, como o rompimento de contratos com empresas terceirizadas – limpeza e manutenção, por exemplos -, houve, segundo o representante da instituição, uma redução de 35% dos valores praticados anteriormente.
O otimismo do supervisor não convenceu os médicos, que cobraram a retomada da normalidade nos atendimentos, a solução para falta de insumos, além de a Santa Casa quitar o salário de novembro e do 13º e pagar as multas. São 437 médicos sem receber.
A Santa Casa informou ainda que aos poucos está retomando as atividades e que depende de empréstimo bancário para saldar as dívidas trabalhistas com os médicos. A instituição está tentando obter crédito com a Caixa Econômica Federal e acredita que terá uma decisão até o final do mês de janeiro.
Na assembleia, os médicos deliberaram que na próxima reunião no Ministério do Trabalho e Emprego, no dia 28, a Santa Casa apresente um plano e os critérios de demissão e qual será a política de recursos humanos para o controle de ponto, se vão pagar hora extra, banco de horas etc.
Instituição não comparece em reunião no MTE
No encontro agendado para ontem, 22 de janeiro, pouco antes do início da reunião no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a Santa Casa entrou em contato com o superintende do MTE, Luiz Antônio de Medeiros, para justificar, verbalmente, a ausência, alegando que não teria nova proposta para apresentar aos sindicatos das categorias.
Mesmo assim, o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) e o Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo (Seesp) foram recebidos pela chefe da seção de Relações do Trabalho do MTE, Aylza Gudin, que acolheu as reivindicações das entidades sindicais.