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Saiba como é o show que Eric Clapton trará ao Brasil

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20/06/2011 | Notícia Simesp

Saiba como é o show que Eric Clapton trará ao Brasil

Nesses tempos de superabundância de informação, há tempo de sobra até outubro para que fãs de Eric Clapton no Brasil, sobretudo os que comprarem ingressos para o maior show da passagem do legendário guitarrista pelo país (dia 9 na HSBC Arena, além de apresentações em Porto Alegre, dia 6, e em São Paulo, dia 12), ficarem sabendo: dizer que a atual turnê do britânico é low profile é pouco. Sem efeitos visuais e com um tom intimista simbolizado por contatos raros e curtos de Clapton com o público, a experiência de vê-lo hoje, já perto dos 70 anos (está com 66) e depois de várias temporadas livre do apego de aditivos, é de apreciação musical, não de agito.

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A preocupação de deixar o blues falar mais alto ficou clara na recente residência de Clapton no Royal Albert Hall, em Londres, nas últimas semanas de maio, com 11 apresentações. À frente de uma banda tarimbada e tão concentrada quanto ele na tarefa de fazer cócegas em escalas, o homem considerado por alguns uma divindade das seis cordas só revela sua maior preocupação com o público na maneira como compõe o repertório dos shows, sem grandes mudanças nos últimos seis anos.

Ausentes estão todos os discos originais de estúdio desde "Journeyman", de 1989 – ou seja, nada de "Tears in heaven" ou "Change the world". Presentes estão os sucessos mais clássicos, incluindo os que Clapton pega emprestado do cancioneiro do blues, que tanto lhe fez bem e pelo qual ele tanto fez ao lado de colegas de profissão britânicos – o guitarrista é um dos "garotos branco" britânicos a que BB King tanto agradece pela saída da obscuridade num dos filmes mais emocionantes da série de documentários lançada na década passada pelo cineasta Martin Scorsese.

E é com um cover ("Key to the highway", de Charlie Segar), que Clapton inicia os trabalhos e estabelece as regras do jogo. No centro do palco, trajando uma combinação sóbria de calça de brim e camisa escuras de mangas curtas, e com mocassins cor de caramelo, ele e sua guitarra Fender azul-bebê conduzem o show. Sem exagerar nos solos, Clapton também dá espaço para os escudeiros – durante vários momentos da apresentação de uma hora e 45 minutos, são os tecladistas Chris Stainton e Tim Carmon que estão sob os holofotes.

A voz serena de Clapton, mesmo na hora de versos mais "gritados", precisa da ajuda das vocalistas de apoio Sharon White e Michelle John apenas para as harmonias. Velhos companheiros do guitarrista, o baterista Steve Gadd e o baixista Willie Weeks cuidam do andamento, que, apesar da velocidade reduzida, tem lá suas armadilhas. Ainda mais quando "Hoochie Coochie Man", o blues mais famoso do repertório de mestre Muddy Waters, se transforma numa minijam, apesar de ser a apenas a terceira música da noite.

Ajeitando a cabeleira grisalha, Clapton se limita aos "obrigados" entre uma música e outra. Como contrapartida pela falta de amenidades, oferece ao público sucessos. Lá estão "Old love", "Badge", "Wonderful tonight" e, claro, "Layla", ainda que na versão do álbum acústico de 1995, não a pungente original de 1970. "Cocaine" e uma versão bem-comportada de "Crossroads" fecham um show certamente do agrado de um público mais fiel, mas que pode deixar uma plateia menos especializada, ou mesmo uma que há 10 anos espera a terceira vinda de Clapton, querendo mais. A não ser que o velho Mão Lenta tenha guardado alguns truques na manga…