A revalidação de diplomas de medicina expedidos no exterior foi o tema de destaque do III Fórum de Ensino Médico, que se iniciou na manhã desta quinta-feira (05), no Conselho Federal de Medicina, em Brasília. Os participantes do evento demonstraram sua preocupação com as iniciativas do Governo de flexibilizar o Revalida e por isso pretendem que o Exame se transforme em lei o mais breve possível. A necessidade de qualidade adequada na formação do profissional e a abertura indiscriminada de escolas médicas também nortearam os debates.
"Devemos insistir no espírito que sempre norteou os médicos como profundos conhecedores da realidade social e política. Estamos em situação de conflito onde o Governo marcha para lado diferente da categoria médica. Então o amadurecimento do movimento de forma conjunta, através de diálogos, é importante para convencermos a oposição", explicou o presidente da Federação Nacional dos Médicos, Geraldo Ferreira.
Ele completou que terá o compromisso de envolver cada vez mais os dirigentes dos sindicatos nas questões do movimento médico.
O estágio atual do Revalida foi abordado pelo vice-reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Henry Campos, que demonstrou o processo pelo qual o Revalido foi constituído e os resultados da sua aplicação.
"É um processo isonômico tratado como uma política pública. Uma equipe especializada fez um trabalho orientado com foco na avaliação não só de conhecimento, mas também de habilidades. Após 4 anos conseguimos construir o Revalida e do ponto de vista educacional, não há dúvidas de que é uma das melhores avaliações", ressaltou.
Os projetos de lei a favor e contra o Exame foram apresentados pelo assessor das entidades médicas (FENAM, CFM e AMB), Napoleão Puente Salles. Foram relatadas as matérias de autoria dos senador Paulo Davim (PV/RN), Alfredo Nascimento (PR-AM), Roberto Requião (PMDB/PR) e Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM). Os dois últimos autores tentam facilitar a entrada de médicos formados no exterior. As ações dos dirigentes do movimento médico são para acelerar a tramitação do PL de Davim no Congresso.
Sobre o plano do Governo de abertura de vagas em escolas médicas, o 1º vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Carlos Vital Corrêa Lima, afirmou que resultará em efeitos negativos de imediato. Ele destacou que o Brasil não possui docentes qualificados suficientes para a demanda e a qualidade adequada de um ensino médico é essencial para o profissional lidar com vidas, saúde e dignidade humana.
O Fórum continua com a seguinte programação até essa sexta-feira (06).
14h – CONFERÊNCIA: Assistência à Saúde e o Acesso Universal
Conferencista: Mozart Sales – Secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do MS
Presidente: Dalvélio Madruga
14h45 – Mesa Redonda: PROVAB – Análises e propostas
Presidente: Cid Célio Carvalhaes
Secretário: José Luiz Bonamigo Filho
Fernando Menezes – Secretário-Adjunto e Diretor de Programas – SGTES – MS
Jadete Barbosa Lampert – Presidente da ABEM
Beatriz Rodrigues de Abreu da Costa – Presidente da ANMR
Marcela Vieira – Presidente da DENEM
16h05 – Debates
17h15 – Enceramento
DIA 06/07/2012
9h – CONFERÊNCIA: Humanidades no Ensino Médico
Conferencista: Abram Josek Eksterman
Presidente: Nelson Grisard
9h45 – Mesa Redonda: Valores humanos na relação médico-paciente
Presidente: Janice Painkow
Secretário: Mauro Asato
* Valores do paciente
Henrique Batista e Silva
* Sofrimento e Dor
Cláudia Burlá – Câmara Técnica sobre Terminalidade da Vida
10h45 – Debates
12h – Encerramento