28/01/2021 | Notícia Simesp

Residentes que atuam na linha de frente do combate à pandemia não estão sendo vacinados em São Paulo


O Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) recebeu denúncias de que houve uma distribuição irregular de vacinas em diversas unidades de saúde do estado. Não há vacinas suficientes para os trabalhadores da saúde em âmbito municipal e estadual. Mesmo no Hospital das Clínicas (HC), serviço que é feito de vitrine da campanha publicitária de vacinação do governador do estado, João Doria, os residentes que estavam de férias ou afastados por doença não tiveram garantido o direito à vacinação. A situação é muito pior em outros serviços que não seguem a mesma linha de propaganda de Doria, como é o caso da Santa Casa de São
Paulo, do Hospital do Campo Limpo, do Hospital do Tatuapé e do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM), onde residentes que atuam na linha de frente do combate à Covid-19 não estão sendo vacinados.

De acordo com Augusto Ribeiro, diretor do Simesp, os residentes não estão sendo vacinados em razão de uma lógica deturpada das chefias dos locais de trabalho que não se consideram responsáveis por esses profissionais. “Apesar de a residência ser um vínculo educacional, são esses médicos que, muitas vezes, estão atendendo o maior número de pacientes de Covid-19. Eles que atuam na porta do pronto-socorro e fazendo atendimento na beira do leito presencialmente. Consideramos a estratégia de vacinação como está hoje uma grande injustiça e um problema muito grave”, conta.

No Hospital Campo Limpo, ao mesmo tempo em que os residentes não estão sendo vacinados, foi informado aos profissionais que as doses “excedentes” do primeiro lote serão devolvidas e que esses médicos só serão vacinados em um segundo momento, quando chegar novo lote. “Não faz sentido esse tipo de logística, já que os residentes trabalham 60h por semana ou mais na linha de frente de atendimento de casos de Covid, estando altamente expostos. É preciso que haja explicação do governo e dos gestores desses hospitais que estão deixando de fora quem mais precisa”, explica Augusto Ribeiro, diretor do Simesp.

Além disso, também foram recebidos relatos de que apenas quem é contratado via CLT estão sendo vacinados em alguns locais, deixando de fora os médicos com vínculo de pessoa jurídica (PJ) ou outros tipos de contrato.

Vacina para todos

O Simesp é a favor de que todos os profissionais de saúde sejam vacinados, ainda que, neste momento, os profissionais que fazem parte do fluxo de atendimento de Covid-19 que atuam em prontos-socorros, Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) sejam priorizados. “Todos os profissionais que estão trabalhando diretamente com o público devem ser vacinados, inclusive os terceirizados das áreas de limpeza e segurança. Isso deve ser, no mínimo, o horizonte das prefeituras e do governo do estado, já que no plano nacional não existe um plano de vacinação em massa da população. Ainda estamos muito longe de uma vacinação para garantir o mínimo de segurança aos profissionais de saúde. Hoje, as vacinas só são suficientes para as campanhas publicitárias.”

 



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