Entoando a palavra de ordem “não vai ter calote”, cerca de 100 médicos residentes fecharam a Avenida Dr. Arnaldo, importante via na zona oeste de São Paulo, em protesto contra o calote do governador Geraldo Alckmin no reajuste da bolsa-auxílio por uma hora na manhã de hoje, dia 6. Os médicos também caminharam pela Avenida Rebouças durante a mobilização e esticaram cartazes na passarela do Hospital das Clínicas.
Além do ato pela manhã, houve também visita à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) à tarde com o intuito de conversar com deputados e solicitar assinatura de carta de apoio. Para Rafael Santos, um dos líderes do movimento e residente do Hospital das Clínicas, um ponto positivo das negociações é que os deputados da Comissão de Saúde da Alesp já apoiam a causa dos residentes. “Os parlamentares sabem que nossa causa é justa e que não estamos exigindo nada além do que é nosso por direito”.
Segundo Larissa Gouveia, residente de infectologia da Universidade de São Paulo (USP), os profissionais de todos os outros estados já receberam o repasse, menos São Paulo, considerado o mais rico. “Hoje o valor líquido da nossa bolsa-auxílio é de R$ 2.600, e o bruto é de R$2975. Com o reajuste o líquido passará para R$ 2.900 e o bruto para R$ 3.330,43. O que mais nos indigna é que nos sentimos desrespeitados com essa falta de repasse”.
Ainda de acordo com a profissional, recebendo a bolsa-auxílio, os residentes trabalham 60 horas semanais e muitas vezes têm essas horas ultrapassadas, além de realizarem plantões noturnos sem receber adicional por horas ou plantões extras. O Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) apoia a greve e a reivindicação dos residentes.
Novo ato amanhã, dia 7
Outro ato será realizado amanhã. Os médicos residentes se concentrarão na Avenida Paulista às 11h e descerão para a Alesp pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio por volta das 12h, com previsão de chegada às 14h. Na assembleia, irão participar de reunião da Comissão de Finanças, Orçamento e Planejamento, que discutirá a inclusão do repasse da bolsa-auxílio para o orçamento de 2017.
Sobre o movimento
Os residentes exigem que o governador Geraldo Alckmin conceda aumento de 11,9% no valor das bolsas (determinado pelo governo federal, por meio da Portaria Interministerial n° 3, a partir de março desse ano), esse valor representa apenas 0,01% do orçamento da saúde. Em função disso e de outros problemas, residentes de várias regiões do estado estão em greve desde o dia 10 de novembro, mantendo 30% dos atendimentos. São 6.522 médicos que recebem suas bolsas pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.