Na tarde de hoje, 1º de fevereiro, foi realizada uma reunião no Ministério Público Estadual (MPE) para buscar soluções aos problemas enfrentados pelo Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP). No encontro, foi definido que será criado um plano de contratação de funcionários com a garantia de que não seja via organização social (OS), mas sim, diretamente pela USP, mesmo que não seja por concurso público. Além disso, o reitor da universidade, Vahan Agopyan, reconheceu que a verba adicional de R$ 40 milhões, aprovada na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), deve ser destinada para o HU.
“É tempo de superarmos a crise que vai para seu quinto ano. Esperamos que a reitoria cumpra a lei orçamentária e contrate profissionais para que o HU possa funcionar plenamente”, diz Gerson Salvador, diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) e médico do HU.
A triagem do hospital também foi redefinida durante o encontro, tema amplamente criticado pela população. “Hoje, o procedimento é feito pelos guardas, o que expõe a população a risco de encaminhamento errado. A reitoria se comprometeu a manter, obrigatoriamente, uma equipe médica para realizar a triagem”, explica Santana Silva, um dos coordenadores do coletivo Butantã na Luta, que representa os moradores da região do Butantã.
A próxima reunião será dia 29 de março para debater os avanços da contratação dos funcionários. Antes disso, haverá um encontro com a superintendência para alinhar o que será discutido. “Essa reunião que tivemos abriu o diálogo com a USP e vemos isso como um progresso. Ainda temos pontos a tratar, mas acreditamos que iremos avançar bastante na normalização e regularização do hospital universitário”, finaliza Silva.
Entenda o caso
Desde 2014 o HU sofre com a perda de trabalhadores devido ao Programa de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV) da USP, que originou o desmantelamento do hospital. De acordo com dados levantados pelo Simesp, atualmente, o déficit de médicos é de mais de 17%. Para ter um quadro completo, como era em 2013, seriam necessários 299 médicos.
O hospital reduziu os atendimentos de 17 mil por mês em 2013 para apenas 5 mil. Dos oito centros cirúrgicos, apenas três estão em operação. Já sobre os leitos, dos 230 existentes, apenas 150 estão ativos e com taxa de ocupação reduzida.
No final de 2017 aconteceu uma manifestação de “Abraço ao HU” e foi criado um abaixo assinado com mais de 60 mil assinaturas. Após isso, houve a aprovação na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) de R$ de 48 milhões adicionais para o HU em 2018, que não foi destinada para a contratação de profissionais, como era o objetivo da verba. No final do ano passado, mais de R$ 40 milhões adicionais novamente foram aprovados para o HU na Alesp.
Sobre o HU-USP
Além de ser uma unidade de ensino da USP, que é referência nacional de formação de qualidade para profissionais de inúmeras áreas de saúde, o HU atende cerca de 500 mil pessoas, de toda região do Butantã e da comunidade universitária.