De acordo com Ulysses Strogoff, diretor-presidente da regional do Simesp em Ribeirão Preto, alegando um déficit da seguridade social, a administração de Jair Bolsonaro tenta pôr em prática uma receita já aplicada em países como o Chile, onde hoje a terceira idade vive em situação de penúria, com idosos na pobreza, sem aposentadoria digna. “O aumento do tempo de contribuição e idade mínima são incompatíveis com o exercício da medicina, que requer longo período de formação, sendo a maior parte dele sem contribuição previdenciária, pois o curso exige dedicação exclusiva. Além disso, o médico, que hoje tem direito a aposentadoria especial por trabalhar em condições adversas, também perderá esse direito”, explica.
No exercício da profissão médica, há uma grande sobrecarga de trabalho. Algumas especialidades atuam sob periculosidade e insalubridade, o que é desconsiderado na PEC (proposta de emenda constitucional) da Morte, como ficou conhecida a reforma da previdência de Bolsonaro. “Trata-se do fim de um sistema de previdência solidária e seguridade social, em que trabalhadores na ativa arcam com o benefício dos já aposentados. Enquanto isso, os benefícios previdenciários do setor legislativo, judiciário e militar que, de fato, chegam a valores volumosos e deveriam ser revistos, continuam intactos na PEC. Além de dívidas bilionárias de grandes empresas com o sistema previdenciário, que não são saldadas”, finaliza Strogoff.