Os atendimentos e procedimentos eletivos no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP) estão suspensos em sua totalidade a partir do meio dia dessa segunda-feira, dia 16. De acordo com o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), o que motivou a greve foram os problemas de estrutura física, ambiente de trabalho inadequado e superlotação, além do congelamento de salários. Houve assembleia dos médicos do hospital na mesma data para definir os rumos da paralisação.
“Este é um hospital cujo objetivo seria formar médicos tanto na graduação, quanto na residência médica, para atender com qualidade a população, e acaba respondendo por uma demanda assistencial muito grande, com alto movimento no pronto-socorro em razão da ineficiência das secretarias municipal e estadual da saúde aqui na região, o que sobrecarrega o serviço. Para se ter uma ideia, temos capacidade para atender 700 pacientes por dia e hoje esse número chega até 1400”, explica o diretor eleito do Simesp, Gerson Salvador.
Ainda de acordo com Salvador, a pauta de reivindicações também inclui a questão salarial, porém a luta é por melhoria nas condições de trabalho e por mais contratações de médicos, já que todas as equipes estão defasadas. “Gostaríamos que o hospital recebesse pacientes com maior complexidade, para podermos cumprir nossa missão de formar com qualidade os médicos que a sociedade precisa”.
Para o diretor do Simesp, é importante que a população saiba que se os médicos não tivessem tomado uma atitude agora, com o objetivo de garantir um bom funcionamento e qualidade no serviço do hospital, o prejuízo seria maior a médio e longo prazo. “Gostaríamos de pedir que a população apoie o movimento, esteja junto com os médicos e reivindique a seus representantes para que possamos oferecer uma atenção à saúde melhor para todos”.
Cerca de 280 médicos trabalham no hospital e todos aderiram à greve. Pelo menos 30% dos médicos (em revezamento) continuarão o trabalho para garantir os atendimentos de urgência e emergência. Os médicos do HU apoiam o movimento grevista dos trabalhadores da Universidade e participam ativamente da greve com a própria pauta de reivindicações.
Na próxima segunda-feira, dia 23, haverá nova assembleia para definição dos rumos da greve, mas ainda não há indicativo de interromper a paralisação.