Os médicos do estado de São Paulo manifestaram na manhã de hoje, 25 de abril, na avenida Paulista, seu luto causado pelos abusos dos Planos de Saúde contra os usuários e profissionais da área. A ação marca o Dia de Alerta Nacional na Saúde Suplementar, marcado também pela suspensão dos atendimentos eletivos.
O ato público teve o objetivo de mostrar à sociedade os problemas que atingem, principalmente, os pacientes. “Com esse movimento pretendemos conscientizar a população de seus direitos, ter uma postura de advertência aos planos de saúde e um chamamento dos médicos pra que resguardem sua dignidade profissional”, pontuou o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo, Cid Carvalhaes.
Para informar a população sobre as bandeiras defendidas pelos médicos, foram abertas faixas nos semáforos e cruzamentos. Alem disso, foi entregue uma carta aos pedestres, pedindo aos usuários que fiquem atentos com as operadoras que cobram reajustes acima da inflação e mesmo assim apresentam queda na qualidade do atendimento.
Para simbolizar o sofrimento dos profissionais da saúde, houve soltura de balões pretos ao final da mobilização. Como destacou o presidente do Sindicato, “uma manifestação de luto, de sofrimento, de dor”. Em coletiva de imprensa, após a manifestação, o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto Luiz D’Avila analisou a questão do ponto vista ético. “A relação médico-paciente deve ser de confiança, mas acaba prejudicada. O médico deve fazer exame físico adequado, avaliando se há ou não necessidade de solicitar exames. Muitas vezes, o paciente acaba sendo atendido as pressas para que o profissional possa atender mais consultas”.
O ato contou com a presença de representantes das entidades médicas e de profissionais indignados com a situação de injustiça que, infelizmente, se tornou comum nesse meio. É o que conta João Luiz Mattoso, especialista em homeopatia, acupuntura e ginecologia, que ficou sem reajuste de uma operadora durante nove anos. “Quando parei para calcular o que eu teria de receber, percebi que valor era absurdo e a operadora se negou a pagar”, desabafou. O médico também questionou como é possível receber uma quantia que muitas vezes não cobre sequer as despesas do consultório.