Simesp

Pronto Socorro Ayrosa sofre com falta de segurança

Home > Pronto Socorro Ayrosa sofre com falta de segurança
10/12/2018 | Notícia Simesp

Pronto Socorro Ayrosa sofre com falta de segurança

Ao final do seu último atendimento do plantão de sábado à noite, dia 24 de novembro, uma médica de 64 anos foi violentamente agredida pelo pai de sua paciente no Pronto Socorro Ayrosa, em Osasco, o que lhe rendeu um olho roxo e hematomas nos braços apenas por perguntar o peso da paciente de cerca de 8 anos. No início deste mesmo mês, a área de descanso dos médicos no PS foi invadida e quebraram o local. De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Eder Gatti, a população acaba extravasando a sua revolta diante do descaso dos gestores do SUS e da piora do atendimento nos profissionais que atuam na linha de frente.

Desde o início do aumento da violência no local, os funcionários pedem por policiamento e controle de acesso no pronto socorro, mas nada é feito pela prefeitura. “Existe sim um problema de violência, mas não é apenas com repressão que o problema será resolvido porque o fruto da violência é o descaso dos gestores”, explica Gatti e completa: “Deveria haver um número apropriado de profissionais para que o atendimento fosse ágil e adequado, ter uma estrutura que acolhesse bem a população, que houvesse acesso a medicamentos e insumos e que o serviço fosse resolutivo. É preciso dar segurança aos médicos e dignidade à população.”

A médica agredida diz não sentir raiva do pai da paciente pelo ocorrido. “Ele chegou ao auge do desespero. Durante a agressão, ele não falava do caso da filha que estava machucada, mas gritava pela esposa, que faleceu há pouco tempo”, conta. Ela também explica que o ato de denunciar o caso é para proteger seus colegas que atuam no serviço e em outras unidades de saúde de Osasco, que sofrem com a falta de segurança.

O Simesp avalia que manter a segurança no local de trabalho é uma necessidade primária que devia ser mantida pela Prefeitura de Osasco, o que não foi feito. O sindicato encaminhará denúncia ao Ministério Público (MP) sobre o caso.

Entenda a crise de Osasco

A Prefeitura de Osasco terceirizou a mão de obra médica em quase todas as unidades de saúde pública do município para a empresa Pires &Vanci como forma de fraudar a relação de emprego dos médicos. A consequência disso é calote aos médicos, alto turnover (rotatividade) de profissionais e população sem assistência. É o que afirma Eder Gatti, presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), baseado em denúncias recebidas pela entidade.

Boa parte dos serviços de pronto atendimento do município, que já sofriam com problemas estruturais e falta de medicamentos, não estão funcionando na sua plenitude. É o caso do Pronto Socorro Pestana, que está funcionando apenas para casos de urgência e emergência. Essa situação ocorre porque desde julho os médicos sofrem recorrentes atrasos de salário e preferem deixar de trabalhar em Osasco. A Pires &Vanci, que pagava os profissionais apenas após 45 dias do término do mês, passou a dizer aos que só realizará os pagamentos após 60 dias e mesmo assim também atrasa. Para Gatti, isso é resultado do modelo adotado pela gestão, que enquadra os médicos como sócios ou prestadores de serviços.