Desde o início do aumento da violência no local, os funcionários pedem por policiamento e controle de acesso no pronto socorro, mas nada é feito pela prefeitura. “Existe sim um problema de violência, mas não é apenas com repressão que o problema será resolvido porque o fruto da violência é o descaso dos gestores”, explica Gatti e completa: “Deveria haver um número apropriado de profissionais para que o atendimento fosse ágil e adequado, ter uma estrutura que acolhesse bem a população, que houvesse acesso a medicamentos e insumos e que o serviço fosse resolutivo. É preciso dar segurança aos médicos e dignidade à população.”
A médica agredida diz não sentir raiva do pai da paciente pelo ocorrido. “Ele chegou ao auge do desespero. Durante a agressão, ele não falava do caso da filha que estava machucada, mas gritava pela esposa, que faleceu há pouco tempo”, conta. Ela também explica que o ato de denunciar o caso é para proteger seus colegas que atuam no serviço e em outras unidades de saúde de Osasco, que sofrem com a falta de segurança.
O Simesp avalia que manter a segurança no local de trabalho é uma necessidade primária que devia ser mantida pela Prefeitura de Osasco, o que não foi feito. O sindicato encaminhará denúncia ao Ministério Público (MP) sobre o caso.
Entenda a crise de Osasco
Boa parte dos serviços de pronto atendimento do município, que já sofriam com problemas estruturais e falta de medicamentos, não estão funcionando na sua plenitude. É o caso do Pronto Socorro Pestana, que está funcionando apenas para casos de urgência e emergência. Essa situação ocorre porque desde julho os médicos sofrem recorrentes atrasos de salário e preferem deixar de trabalhar em Osasco. A Pires &Vanci, que pagava os profissionais apenas após 45 dias do término do mês, passou a dizer aos que só realizará os pagamentos após 60 dias e mesmo assim também atrasa. Para Gatti, isso é resultado do modelo adotado pela gestão, que enquadra os médicos como sócios ou prestadores de serviços.