Simesp

Programa do Governo Federal amplia desigualdade nos salários dos médicos

Home > Programa do Governo Federal amplia desigualdade nos salários dos médicos
25/09/2013 | Notícia Simesp

Programa do Governo Federal amplia desigualdade nos salários dos médicos

O programa Mais Médicos ampliou as desigualdades nos salários dos médicos que desempenham a mesma função no serviço público. O governo federal paga aos profissionais do programa uma bolsa de R$ 10 mil mais benefícios para auxílio alimentação e moradia, enquanto os municípios remuneram o médico brasileiro com menos da metade desse valor.

O presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam) denuncia que apenas com as gratificações é que algumas capitais do País conseguem chegar ao rendimento mensal oferecido pelo Mais Médicos. "O salário oferecido ao médico é muito baixo e quando o profissional se aposenta ou se afasta por problemas de saúde não recebe as gratificações. Isso é muito ruim para a categoria. É uma distorção o médico do programa chegar ganhando R$ 10 mil", alertou.

Conforme noticiou o jornal O Estado de São Paulo, em Curitiba, por exemplo, o salário no começo da carreira é de R$ 4,9 mil. Com o Mais Médicos, os profissionais do município já começam ganhando R$ 10 mil, mais R$ 1,5 mil de auxílio-moradia e R$ 370 de auxílio-alimentação.

A prefeitura de Campo Grande paga salário inicial de R$ 4,7 mil para jornada de 40 horas semanais na Estratégia de Saúde da Família (ESF). Pelo menos outras nove capitais brasileiras oferecem remunerações inferiores à estipulada pelo Ministério da Saúde, segundo levantamento do jornal.

Em muitas cidades o rendimento dos médicos só passa de R$ 7,5 mil porque é complementado com gratificações mensais ou bônus anuais, pagos em forma de prêmio por desempenho. É o caso de Vitória, onde o salário-base para 40 horas semanais é de R$ 5,4 mil, mas com os extras pode chegar a R$ 9,5 mil.

A mesma distorção acontece na capital goiana, onde o salário-base para 40 horas de trabalho é de R$ 2,4 mil. O valor, no entanto, é acrescido de gratificações que elevam para R$ 7,9 mil a remuneração mensal. Situações semelhantes são registradas em Aracaju, Natal, Cuiabá e Palmas.

Em entrevista ao jornal, Geraldo Ferreira defendeu o pagamento a todos os médicos o piso da Fenam, que é de R$ 10.412,00 para 20 horas semanais de trabalho. Ele também explicou que a entidade pleiteia a criação de carreira de estado para os profissionais, como medida para fixação dos profissionais no interior e diminuição das distorções.

"Nós entendemos que carreira médica deveria ser no regime jurídico único, estatutária, porque isso criaria o vínculo de servidor público Isso permitira ao médico a dedicação exclusiva, o aperfeiçoamento continuado e isso geraria benefícios à saúde pública", defendeu.