Após 54 dias de greve, os médicos de família e comunidade da cidade do Rio de Janeiro retornaram às atividades em 21 de dezembro. A promessa da prefeitura era de que os problemas que motivaram a paralisação seriam solucionados. Nada ou quase nada foi feito e diante do descaso do prefeito Marcelo Crivella médicos se viram obrigados a deflagrar uma nova greve em 29 de janeiro.
“A prefeitura não tem como prioridade a saúde da população”, lamenta Carlos Vasconcellos, da diretoria da Associação de Medicina de Família e Comunidade do Estado do Rio de Janeiro. Os problemas que motivaram a greve em 2017 persistem: atrasos salariais, falta crônica de insumos e problemas na manutenção básica dos serviços, entre outros.
“Essa crise afeta toda rede, não é apenas a atenção primária”, lembra Carlos Vasconcellos. Ele dá como exemplo hospitais e UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) que enfrentam, via de regra, os mesmos problemas das clínicas de família, serviço na capital fluminense similar ao das Unidades Básicas de Saúde em São Paulo e outras cidades. Serviços fundamentais para a efetivação da Estratégia Saúde Família.
A próxima assembleia dos médicos será em 15 de fevereiro. Antes disso, haverá mais tentativa de conciliação, em 8 de fevereiro, mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1° Região (TRT/RJ).
Em nota divulgada em 25 de janeiro pelo Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, além da decretação da greve, os médicos da atenção primária do município pedem que os profissionais de saúde utilizem a campanha de vacinação contra a febre amarela para informar à população sobre a grave crise na saúde. Além disso, eles exigem o posicionamento e a retratação do prefeito Crivella “a respeito das agressões sofridas pelos trabalhadores em manifestação pacífica em frente ao prédio da Prefeitura, no dia 18 de janeiro”.
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