Entre 2011 e 2014, houve um surpreendente aumento dos casos de coqueluche no Brasil. No primeiro semestre de 2011, por exemplo, dobrou o número de casos em comparação com todo o ano anterior. Entender o porquê disso foi o ponto de partida da tese de doutorado do infectologista Eder Gatti Fernandes, presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp). Tese aprovada, na semana passada, pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
O surto de coqueluche, que provocou uma taxa de mortalidade incomum entre bebês menores de um ano, causou estranheza pelo fato do país apresentar ampla cobertura vacinal da doença. Com base em sua pesquisa, o presidente do Simesp percebeu que o surtou foi provocado, principalmente, pela mudança do perfil epidemiológico da doença.
Embora a cobertura vacinal em crianças seja alta, adultos que tomaram a vacina faz muitos anos perderam a sua imunidade e acabaram transmitindo a doença para os bebês ainda não vacinados (o que só vai acontecer quando eles tiverem entre 2 e 6 meses de idade).
Eder Gatti apontou, em sua tese, que essa forma de circulação foi a causa do surto. Além disso, ele concluiu que uma vacinação de rotina em adultos (para evitar uma possível transmissão para os bebês) é uma estratégia muito cara e que não se justificaria do ponto de vista econômico.
Gatti, graduado em medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, fez residência em infectologia no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, e mestrado, em saúde coletiva, pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.