Sem qualquer explicação, a Prefeitura de São Paulo reduziu o repasse de verbas para as organizações sociais (OSs). Alegando que o valor recebido não é suficiente, algumas OSs cancelaram os plantões extras dos médicos das AMAs, deixando alguns equipamentos sem nenhum médico para realizar o atendimento. Para piorar a situação, a capital está enfrentando um surto de dengue. Foram diagnosticados 4.395 casos da doença e outros 21.783 pacientes estavam sob suspeita (dados levantados até 26 de março pelo Centro de Vigilância Epidemiológica – CVE).
As informações sobre os cortes chegaram ao Simesp por meio de denúncias de profissionais preocupados com a manutenção da assistência à população e que também foram prejudicados com a medida. Eles informam que Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) fez cortes nos plantões extras a partir do dia 12 de março, sem aviso prévio, nas AMAs Vila Guarani, Jardim Santo André, Vila Carrão, Vila Antonieta, Humberto Gastão Bodra, Sapopemba, São Francisco II, Jardim Grimaldi, além do Pronto Atendimento São Mateus.
Os usuários, que já enfrentavam longas filas para serem atendidos, agora encaram uma situação muito pior. “Os pacientes perguntam: por que os médicos estão boicotando os atendimentos?”, contou um profissional que não quer ser identificado. Ele também relatou que no dia 19 de março, as AMAs Conquista, Jardim Santo André e Laranjeiras estavam sem nenhum médico e várias outras com somente dois, totalmente sobrecarregados.
De acordo com as denúncias, os plantões extras eram oferecidos mensalmente pela organização social e os médicos interessados faziam um cadastro para serem escalados. “Se desmarcássemos o plantão éramos punidos. No entanto, a SPDM demonstrou que não possui nenhum respeito e compromisso com os médicos, desmarcando plantões sem nos comunicar e nos deixando com enorme rombo no orçamento, pois contávamos com esses plantões todos os meses”, desabafou uma médica.
A SPDM afirmou aos funcionários que o motivo das desmarcações dos plantões extras foi a redução de 17% do repasse feito pela prefeitura para a OS. O Sindicato dos Médicos de São Paulo solicitou audiência com o secretário de saúde, José de Filippi Júnior, para esclarecer a questão e outros problemas enfrentados pelos trabalhadores de organizações sociais.
Resposta da prefeitura
O departamento de Imprensa do Simesp entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) para obter informações sobre o corte. A reposta é a seguinte: “A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informa que está discutindo o fluxo de caixa com as Organizações Sociais (OSs), pois algumas delas possuem saldo em caixa, sendo convênio ou contrato de gestão. A premissa da SMS é que isso não prejudique o atendimento”.