“Esses profissionais atuam em regiões periféricas da cidade atendendo a população carente, em situação de vulnerabilidade e exposta a vários problemas sanitários. Então, quando a gestão do prefeito João Doria Jr. não efetuou o pagamento dos médicos, tratou esses profissionais com desrespeito, além de demonstrar que desrespeita e trata com descaso a população que depende de desses profissionais”, avalia Eder Gatti, presidente do Sindicato.
O médico Edson Medeiros, que atua em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) da zona norte de São Paulo, conta que mesmo com o frequente descaso da administração municipal, os médicos continuam atendendo. “Somos poucos os médicos que atuam nessas regiões mais afastadas e a população depende do nosso atendimento”, enfatiza.
Essa não é a primeira vez que o atraso acontece, somente no ano passado o salário referente ao mês de junho teve atraso de 16 dias, o de agosto, de 10 dias e o de outubro, de 24 dias. Os profissionais alegam estar sem dinheiro para os custos básicos do dia a dia, como se locomoverem até o local de trabalho. Medeiros, por exemplo, relata que ficou sem receber a bolsa auxílio todas as vezes que houve atraso.
Vínculo com a prefeitura
Segundo o diretor do Simesp, Gerson Salvador, apesar de o Mais Médicos ser uma iniciativa Federal, neste caso, especificamente, a responsabilidade pelo pagamento da bolsa e da ajuda de custo dos médicos é da prefeitura, por Acordo de Cooperação para ampliar o programa. “A prefeitura precisa arcar com o que é devido aos profissionais. Os médicos não podem pagar pelo descaso da gestão”, diz. E completa: “A Lei do Mais Médicos permite contratações precárias, dificulta o acesso à Justiça do Trabalho e a Prefeitura de São Paulo aproveita dessa fragilidade para não cumprir com seu compromisso”.