O presidente do Simesp, Eder Gatti, ao lado de outros membros da Comissão Executiva do Conselho Municipal de Saúde de São Paulo (CMSSP), questionou os representantes da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) se realmente seriam fechadas as Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs), como denunciaram médicos e usuários ao Sindicato. Conforme as denúncias, os próprios gestores das unidades estariam informando a medida.
Durante reunião na última sexta-feira, 23, representantes da SMS argumentaram que não haverá fechamento, mas sim uma reestruturação da rede. Segundo Gatti, a secretária-adjunta da SMS, Maria da Gloria Zenha Wieliczka, disse que o objetivo é priorizar a atenção primária como gestora do cuidado. Então, os lugares onde estão instalados as AMAs seriam usados para ampliar a Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ou instalados Ambulatórios Médicos de Especialidades (AME).
Contudo, o presidente do Simesp diz ter receio de como essa mudança será colocada em prática. “Precisamos saber quais são os critérios técnicos dessas transições. Uma vez, que ao tirar a AMA para dar lugar a outra coisa (eles nunca usam a palavra “fechar”), essa nova estrutura precisará absorver a demanda deixada pela AMA. Será necessária uma ampliação da atenção primária, seja no número de unidades, seja no número de equipes da Estratégia Saúde da Família”, pondera.
Outra preocupação do presidente do Simesp é que fazer uma reestruturação exigirá aplicação de investimento e isso acontece no mesmo momento que houve o anúncio de corte de 15% no orçamento da Secretaria da Saúde. “A capacidade dos serviços da Saúde que estão instalados atualmente já é insuficiente, o dinheiro do custeio vai sofrer corte e a prefeitura terá que fazer adaptações para adequar esse orçamento reduzido, tudo isso somado a uma reestruturação gera muita insegurança”, avalia Gatti.
“Nós trabalhadores da saúde, médicos, temos que pressionar para seja garantido investimento, financiamento adequado e unidades que garantam assistência à população”, disse o presidente do Simesp e completa: “O ideal é que a própria população, que é a principal interessada que esses serviços estejam funcionando, também pressionem a gestão para que não haja nenhuma mudança estrutural brusca, que reduza a rede e prejudique a população”.