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Por falta de pagamentos, médicos podem parar em Bertioga

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11/09/2014 | Notícia Simesp

Por falta de pagamentos, médicos podem parar em Bertioga

A partir de quinta-feira(11), pelo menos 50 médicos devem interromper o atendimento no Hospital Municipal de Bertioga. Os profissionais decidiram, em reunião na noite de ontem, a paralisação na unidade porque não recebem salário há dois meses.

Os médicos entraram em acordo e decidiram não prestar mais serviços ao Instituto Corpore, organização social (OS) responsável pela administração da unidade de saúde, contratada desde 1º de setembro pela Prefeitura.

A insatisfação, no entanto, é com a Fundação ABC, a OS que administrava o hospital anteriormente, até o final de agosto. De acordo com um dos médicos que conversou com A Tribuna, mas pediu para não ser identificado, a instituição não pagou os salários dos médicos referentes aos meses de julho e agosto.

O profissional responsabilizou a Prefeitura por não repassar o dinheiro para a Fundação ABC que, consequentemente, não pagou os funcionários.

O atendimento clínico e, inclusive, o pronto-socorro devem ser afetados. Uniram-se em paralisação os profissionais das áreas de clínica médica, cirurgia geral, pediatria, ginecologia obstetrícia e anestesia.

Os médicos que mantinham contrato com a Fundação ABC eram terceirizados e contratados através de outras quatro empresas.

“Um joga para o outro. A Prefeitura diz que repassou a verba para a Fundação ABC, já a Fundação diz que não recebeu. Nessa, os médicos trabalharam de graça durante esses dois meses”, diz o médico ginecologista José Claudio Correa Leite, que também concordou com a interrupção no atendimento.

Um comunicado ao Instituto Corpore foi enviado na noite de ontem para avisar que “a partir das 7 horas do dia 11 de setembro (hoje) de 2014, as empresas terceirizadas responsáveis pelo corpo clínico até então atuante iniciarão uma paralisação por tempo indeterminado”, diz o documento.

Quem paga?

A Tribuna entrou em contato, ainda na noite de ontem, com o prefeito de Bertioga, Mauro Orlandini (DEM). O chefe do Executivo afirma que todos os repasses de verba foram feitos corretamente à Fundação ABC até o final do contrato. “O pagamento da Fundação está 100% em dia”, disse, por telefone.

Já o superintendente da Fundação ABC durante a administração do Hospital de Bertioga, Rogério Bigas, afirma que a Prefeitura deve cerca de R$ 3,5 milhões à OS.

“A Prefeitura devia cerca de R$ 8,8 milhões até o final de agosto. Agora em setembro repassou à Fundação ABC o valor aproximado de R$ 5,3 milhões, para os pagamentos referentes a julho e agosto deste ano e, ainda, algumas pendência de 2013. Faltam R$ 3,5 milhões”, diz Bigas.

O superintendente explica que no contrato entre a Prefeitura e a OS existe uma ordem de pagamentos a ser cumprida. Com a verba de R$ 5,3 milhões em setembro, a Fundação ABC deu prioridade à rescisão dos vínculos empregatícios dos funcionários ligados diretamente ao hospital, pagamento de impostos e fornecedores. Os médicos contratados através de empresas terceirizadas não receberam.