Os médicos de São Paulo decidiram em assembleia na noite de 30 de junho iniciar movimento de paralisação sequencial no atendimento aos planos de saúde. A fim de não prejudicar os usuários, a proposta é a cada semana uma especialidade suspender o atendimento as operadoras que sequer responderam ao pedido de negociação das entidades médicas. Em breve será apresentado o cronograma do movimento.
Desde a última mobilização no dia 7 de abril, representantes dos médicos vêm tentando dialogar com a saúde suplementar. Quinze delas foram procuradas, dez não responderam e terão o atendimento paralisado: Notredame, Porto Seguro, Gama Saúde, Green Line, Intermédica, ABET (Telefônica), Caixa Econômica Federal, Cassi (Banco do Brasil), Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e Embratel.
Para as demais (Amil, Golden Cross, Medial, Geap e Marítima, além da Amico, que procurou as entidades espontaneamente), que responderam de forma insatisfatória, ficou decidido pela continuidade da negociação no prazo de 30 dias. Além disso, a assembleia, que reuniu cerca de 500 médicos, reconheceu a comissão formada por representantes do Simesp, Cremesp e APM, como legítima representante do movimento, sendo inclusive agendada reunião para a próxima segunda-feira, dia 4.
Os médicos reivindicam, entre outros, elevação do valor da consulta para R$ 80,00; procedimentos atualizados proporcionalmente de acordo com a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM); regularização dos contratos com a inserção de cláusula de reajuste anual com base no índice autorizado pela ANS para os planos individuais e o fim da interferência na atividade médica e do controle nas solicitações de exames.
Para Cid Carvalhaes, presidente do Simesp e representante da comissão, os médicos estão sendo massacrados por lucros abusivos das operadoras. “Somos explorados. Nossa atividade profissional é invadida e os direitos elementares dos pacientes são restritos. É momento de dizer chega! Defendemos a ética e nossa sobrevivência.”
O presidente do Cremesp, Renato Azevedo Júnior, afirmou que é hora de agir. “Temos de ter, no mínimo, respeito por parte dos planos de saúde. A média da remuneração por consulta é de R$ 30,00 (bruto). Impossível continuar desse jeito. 2011 continuará sendo um ano de mobilização”.
A luta dos médicos conta com importante apoio da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste). Para a advogada da entidade Tatiana Viola de Queiroz trata-se de uma luta justa. “O serviço médico deve ser prestado com mais qualidade. É importante o esclarecimento ao paciente sobre a interferência sofrida. Somos solidários à causa”.