O cinema direto. Aquele que tem como foco não a abstração, mas todos os detalhes que remetem o público ao que há de mais próximo da realidade. Obras que buscam reconstruir com maestria “a verdade” e suas muitas injunções. É neste estilo que se destaca o cineasta canadense Pierre Perrault, homenageado durante a mostra de filmes no Cinusp.
Neste mês, mais de trinta filmes – entre eles exibições inéditas no Brasil – serão apresentados gratuitamente em duas sessões diárias, até o dia 22. Os trabalhos, produzidos entre 1958 e 1994, dividem-se em curtas, médias e longas-metragens além de dois documentários sobre Perrault e sua trajetória profissional.
Pierre nasceu em 1927 e não se limitou apenas ao cinema. Aplicou seu caráter documental e crítico à plataformas como o rádio e a literatura. O pano de fundo das suas obras expõe questionamentos a respeito da formação histórica de Quebec e, consequemente, da cultura e memória do povo que ali se estabeleceu. Em 1996, o diretor fez sua única visita ao Brasil, durante a III Mostra Internacional do Filme Etnográfico. Três anos depois, veio a falecer.
As exibições são acompanhadas de debates e conferências, no intuito de ampliar as questões levantadas em cada filme e interagir com o público que comparecer à mostra.
Serviço
Datas de exibição: 11 e 15/6 (sessão comentada)
Horários: 19h e 16h, respectivamente
Direção: Pierre Perrault, Bernard Gosselin e Michel Brault
Informações técnicas: Canadá, 1968 – 15min. Classificação livre.
Sinopse: Curta-metragem sobre a pesca dos marsuínos na Île-aux-Coudres. Os habitantes explicam ao cineasta toda a arte da pesca, a lógica da armadilha e o movimento do peixe e falam do prazer da captura, na atualidade e no passado.