Médicos, dentistas e fisioterapeutas estão descontentes com os abusos dos planos de saúde. Uma pesquisa inédita, realizada pela Associação Paulista de Medicina (APM), com o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo e a Federação Nacional de Prestadores de Serviço de Fisioterapia, com o apoio do Sindicato dos Médicos de São Paulo mostra que os índices de insatisfação são estratosféricos, chegando a quase 100% com relação à remuneração, sendo 98% dos médicos e fisioterapeutas e 97% dos dentistas entrevistados.
A avaliação geral sobre as operadoras de saúde foi ruim/péssima para 46% dos médicos, 62% dos fisioterapeutas e 69% dos dentistas. Esses índices são preocupantes e demonstram que o sistema não cumpre o esperado, sobretudo, se considerar que se trata de cuidados à saúde e à vida.
A não autorização de procedimentos ou medidas terapêuticas por parte dos planos de saúde é a principais queixa dos médicos, 77%. Já a restrição de procedimentos de alta complexidade e ações para dificultar atos diagnósticos terapêuticos mediante a designação de auditores empatam com 69% das reclamações.
Durante a divulgação da pesquisa, durante coletiva de imprensa, na manhã desta terça-feira, 23 de abril, o dirigente do Simesp, Cid Carvalhes, trouxe dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e relatou que no ano de 2011, o setor teve um faturamento de cerca de 80 bilhões de reais com um índice de “sinistralidade” de cerca de 81%. “O que nos leva a reflexão de uma sobra de aproximadamente 16 bilhões de reais. Desse montante, segundo também a ANS, 5% devem ser para custos operacionais. Portanto, podemos afirmar que o setor é altamente exploratório”, expôs.
A pesquisa quantitativa também teve o apoio do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), da Academia de Medicina de São Paulo e da Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentista. A amostragem de cinco mil prestadores, somando médicos de 22 especialidades, dentistas e fisioterapeutas, foi realizada entre os dias 3 e 14 de abril deste ano, via Internet.
Os resultados da pesquisa justificam a necessidade de levar ao público os problemas sofridos pelos médicos que causam prejuízo, principalmente, aos pacientes. Por isso, os médicos saem às ruas para mostrar a sociedade os abusos dos planos de saúde, no Dia Nacional de Alerta na Saúde Suplementar, 25 de abril. Como protesto, os médicos suspenderão o atendimento eletivo. Urgências e emergências estão resguardadas.
O movimento será realizado ao longo da avenida Paulista, a partir das 7h com abertura de faixas nos semáforos e distribuição de panfletos. O encerramento será às 10h, em frente ao prédio da Gazeta.