A intenção dos manifestantes é garantir que os R$ 48 milhões, de uma emenda adicional ao orçamento de 2018, sejam realmente destinados a recomposição do quadro funcional para que os serviços voltem a funcionar como era antes da crise. “Com essa emenda é possível resolver a crise do HU. Precisamos continuar com a luta, até que a universidade dê os devidos encaminhamentos: contrate profissionais e reabra os serviços”, avalia Gerson Salvador, diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) e médico do Hospital Universitário.
A emenda adicional ao orçamento de 2018 do Estado de São Paulo, aprovada pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), em 27 de dezembro, foi conquistada após semanas de mobilizações e pressão do movimento em defesa do HU, organizado pelo Coletivo Butantã na Luta, por estudantes e residentes de medicina e enfermagem da USP, além dos profissionais que trabalham no hospital, com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Associação de Docentes da USP (Adusp) e do Simesp.
Após reuniões mediadas pelo Ministério Público, o deputado Carlos Neder, membro da comissão de saúde da Alesp propôs ao relator do orçamento, o deputado Marcos Vinholi, a destinação de verbas para o hospital. A emenda é destinada à contratação de profissionais e sancionada pelo Governador Geraldo Alckmin.
Crise do HU
Devido à falta de médicos para completar a escala de plantão, o pronto-socorro pediátrico foi fechado no dia 21 de novembro do ano passado, mantendo os atendimentos apenas de urgência e emergência. O pronto-socorro adulto está funcionando parcialmente pelo mesmo motivo. De acordo com dados levantados pelo Simesp, atualmente, o déficit de médicos é de 17,5%, sendo que há 248 profissionais ativos no HU. Para ter um quadro completo, como era em 2013, seriam 299.
Reivindicando a reposição do quadro de funcionários do HU, os estudantes de medicina e enfermagem iniciaram uma greve no dia 13 de novembro e realizaram diversos atos por novas contratações e melhorias para o hospital. Já no final de novembro, dia 28, os médicos residentes em pediatria e medicina de família e comunidade decidiram aderir à greve dos estudantes e a paralisação teve início dia 4 de dezembro.