Sob um sol inclemente, os médicos residentes do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (IIER), em greve há uma semana, realizaram ato, nesta segunda-feira, 14, para exigir a nomeação imediata de médicos já aprovados em concurso.
A partir do meio dia, por cerca de uma hora, eles fecharam parcialmente a Avenida Doutor Arnaldo (via que fica em frente ao IIER). “A nossa paralisação é direcionada ao governo do estado porque a gente precisa da liberação da contratação desses profissionais”, explicou o residente Luiz Francisco D’ Elia Zanella.
O grupo também deu um abraço simbólico diante do Instituto fundado em 1880. De acordo com Zanella, dos 49 residentes apenas 3 não aderiram ao movimento de paralisação. Durante o ato, os residentes distribuíram panfletos explicando a razão do movimento e colheram assinaturas de apoio (a mesma petição pode ser assinada, virtualmente, aqui).
Em setembro deste ano, o governador Geraldo Alckmin vedou, por meio do decreto 61.466, “a admissão e a contratação de pessoal, bem como o aproveitamento de remanescentes de concursos públicos com prazo de validade em vigor, no âmbito da administração pública direta, das autarquias, inclusive as de regime especial, das fundações instituídas ou mantidas pelo Estado e das sociedades de economia mista.”
Decisão que impossibilita que o IIER convoque médicos já aprovados em concurso realizado em abril de 2015. Para piorar a situação, parte dos médicos do Instituto terá, a partir do dia 20 deste mês, os seus contratos temporários encerrados. Sem previsão, por ora, de que esses profissionais venham a ser substituídos.
Essa decisão do governador Alckmin, ainda de acordo com Zanella, foi o “estopim” da paralisação. Pois irá afetar o atendimento aos pacientes. O residente conta que a única resposta, até o momento, do governo estadual foi um plano de contingência (que ele aponta como insuficiente).
“Foi feito um plano de contingência. Porém, por exemplo, apenas uma nefrologista vai ficar pra dar conta de todo o hospital. Coisa que não vai dar certo”, avalia. “A gente precisa de todo o contingente dos profissionais que foram aprovados no concurso”, pede o residente.
Além da possibilidade de interrupção de certos tipos de atendimento, pela ausência de especialistas, o Instituto hoje sofre com a falta de medicamentos e outros insumos. “A segunda pauta também não deixa de ser importante. É a questão do material aqui dentro do hospital. Às vezes, a gente não tem nem agulha”, ressalta o médico residente.
A Associação dos Médicos do Emílio Ribas também já pediu, por meio de ofício, que o governador Geraldo Alckmin reconsidere sua decisão e garanta a nomeação imediata de médicos já aprovados em concurso público. Em ofício encaminhado ao governador, a Associação solicita uma resposta até amanhã (saiba mais).