Na capital do Paraná não faltam opções ao ar livre para passear com a família, piquenique, praticar caminhada, ler um bom livro. São dezenas de parques espalhados pela cidade que, além dos belos gramados verdes, das trilhas protegidas pelas sombras das árvores e do colorido das flores, revelam a forte influência da imigração europeia naquela região. Hoje esses atrativos turísticos funcionam como instrumentos da divulgação e manutenção da memória das diversas tradições.
Alemães, italianos, poloneses, ucranianos. Várias nações representadas. Um parque para cada uma. Em cada parque uma imersão na cultura e arquitetura do país. O Parque Tingui, por exemplo, onde em tempos remotos habitavam indígenas, abriga o Memorial Ucraniano. O jardim impecável e florido exibe réplica da Igreja de São Miguel de Arcanjo, originalmente construída no interior do Estado, no final do século 18. Na parte interna do monumento, destacam-se ícones religiosos e a arte das pêssankas, ovos pintados à mão, carregados de simbolismo, usados há séculos para presentear na Páscoa – tratados como talismã capaz de oferecer proteção.
Nos quase 40 mil metros quadrados de mata nativa do Bosque Alemão, há um mirante em madeira de onde o turista tem vista panorâmica da cidade, além da copa das árvores. Vista belíssima, merece ser apreciada com total tranquilidade. Caminhando, chega-se, no lado oposto, à réplica da fachada de uma casa germânica, construída originalmente em 1870, no setor histórico de Curitiba. Há ainda a reprodução de antiga igreja de madeira do início da década de 30.
Outra atração ecológica do município é o Parque Tanguá. São 235 mil metros quadrados de área verde, pistas para caminhada, ciclovia e imensa cascata formada pelas águas do mirante superior. Chama a atenção o túnel artificial que une duas pedreiras desativadas.
O Jardim Botânico é uma das principais atrações de Curitiba. Os jardins geométricos e a estufa com espécies nativas da Mata Atlântica são imagens amplamente divulgadas – com inteira justiça. Ele completa, em 2011, duas décadas de existência.
Ópera de Arame
Quem anda pelas telas aramadas da Ópera de Arame experimenta sensação diferente, algo como “estar sem chão”. Talvez surjam arrepios na coluna e certa insegurança por andar sobre um chão de onde é possível enxergar o piso inferior. O importante é não desistir, seguir adiante, conhecer cada cantinho, descobrir a curiosa beleza de estrutura tubular que sustenta o local. A Ópera de Arame é um espaço cultural voltado para todo tipo de apresentação, e está instalada no Parque das Pedreiras Paulo Leminski.
Na maioria dos parques há interessantes lojinhas: oferecem opções de artesanato e doces típicos, boa oportunidade para a compra dos suvenires. Não deixe de visitá-las.
Linha turística
Para conhecer os principais pontos, a cidade facilita a vida do visitante, oferecendo como alternativa ao transporte individual o ônibus turístico, que passa por 24 locais em cerca de duas horas e meia. A partida é da Praça Tiradentes, mas é possível iniciar o trajeto em qualquer um dos pontos turísticos. Os ônibus saem a cada meia hora. O usuário pode descer do coletivo para visitas mais tranquilas – a passagem dá direito a um embarque e quatro reembarques, e custa R$ 20.
Com uma frota de 14 ônibus: quatro de dois andares com cobertura, cinco de dois andares sem cobertura e cinco tipo jardineira, a Linha Turística transportou no ano passado mais de 530 mil passageiros. Aproveite!
Nada mais justo, depois de um dia de intensa atividade, rodando pelos parques de Curitiba, desfrutar de um bom (e farto) jantar em Santa Felicidade. Se estiver de dieta, passe longe (bem longe) dali. Conhecido como circuito gastronômico de Curitiba, o bairro formado por colonos vindos das regiões do norte da Itália no final de 1870, oferece uma gama de restaurantes, cantinas, pizzarias e vinícolas. Sem dúvida, Santa Felicidade faz jus ao nome.
Morretes
Se houver tempo, reserve um dia para um agradável passeio de trem na ferrovia Paranaguá-Curitiba. Seus antigos trilhos, pontes e túneis levam a uma incrível viagem pela Serra do Mar. São 110 quilômetros até o destino final, em Paranaguá, sendo o passeio disponível somente aos domingos. Nos demais dias, o trem tem seu percurso diminuído, seguindo até a pequena cidade litorânea de Morretes, lugar de casas históricas, de práticas de ecoturismo e do famoso barreado, prático símbolo da gastronomia paranaense.
Seu preparo exige verdadeiro ritual: a carne deve ser cozida por horas – alguns dizem serem necessárias 12, outros 24 horas de cozimento. Na prática, a carne alcança o ponto ideal quando estiver se desmanchando. A montagem do prato é finalizada na mesa, na hora de servir, quando garçons costumam brincar com os clientes. No prato, colocam a farinha, uma concha do caldo e da carne e misturam até formar um pirão. Nesse momento é feito o teste: para comprovar que está no ponto certo, o garçom vira o prato sobre a cabeça do visitante, mostrando que o pirão está bem firme, não cai. Depois da descontração, é só desfrutar do prato principal e dos diversos acompanhamentos, entre eles, a indispensável banana.
As margens do rio Nhundiaquara, principal cartão-postal de Morretes, que corta o centro da cidade, são boa pedida para o descanso após o almoço. Aproveite para fazer os registros fotográficos.
Interessante dica cultural é o Instituto Mirtillo Trombini, onde funciona uma galeria de artes que compreende a biblioteca, chamada carinhosamente de “Cantinho da Leitura”. Curiosa a forma improvisada como começou a ser montada a biblioteca: numa caixa de verduras. A gerente do local, Elisabeth Lemes, explica que sua irmã, na época gerente da galeria, Elisete Lemes, encontrou uma caixinha de verduras jogada na rua, pintou-a e a decorou com folhas de parreiras. Nela colocou o único livro que ali havia, uma obra de Monteiro Lobato e a deixou na galeria. “Houve grande interesse das crianças pela leitura e a ideia foi se expandindo”. O Cantinho da Leitura é formado exclusivamente por doações, inclusive dos turistas que passam por Morretes. Ao visitar o Instituto, todos são convidados a participar da campanha permanente de arrecadação de livros. “Recebemos doações de pessoas de todo o Brasil e do exterior. É uma alegria perceber que nosso trabalho está levando cultura à população”, afirma Elisabeth Lemes.
A gerente tem mesmo bons motivos para comemorar. Afinal, o acervo possui 17 mil livros para uma população de 16 mil habitantes, ou seja, mais de um livro per capta. No ano passado, foram emprestados mais de 9 mil livros.
Aos 91 anos, Mirtillo Trombini, artista plástico que dá nome ao Instituto, é morretense e continua em atividade, fazendo o que sempre gostou: criar e dar oportunidades a novos artistas. Suas obras fazem parte do acervo histórico do Espaço Museológico, que fica na própria galeria de artes.
Serviço
Contribua com o Cantinho da Leitura enviando livros para: Instituto Mirtillo Trombini –
Alameda João de Almeida, 20, Morretes,
Paraná. CEP 83350-000.