O grupo de trabalho que visa traçar um diagnóstico da realidade das urgências e emergências dos hospitais públicos brasileiros voltou a se reunir nesta quarta-feira (28), em Brasília. Formado por representantes das entidades médicas, em parceria com a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados e do Ministério Público Federal, o grupo analisou o relatório que expõe a situação encontrada nos hospitais Arthur Saboya/Jabaquara, em São Paulo, e o hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro. Esses foram os primeiros a serem vistoriados, dentro de uma programação que inclui visitas aos hospitais de sete estados brasileiros.
De acordo com o relatório, os deputados testemunharam situações aviltantes e viram pacientes em situações críticas, serem atendidos em locais inadequados. Para o secretário de Comunicação da FENAM, Waldir Cardoso, a visita foi importante para mostrar aos parlamentares a realidade que os médicos convivem diariamente.
"A visita mostrou `in loco` para os deputados da Comissão a gravidade do problema que já é do nosso conhecimento, mas que eles apenas ouvem falar. Foi muito importante que eles pudessem presenciar como é a situação de trabalho e a precariedade de atendimento que os pacientes estão submetidos nesses hospitais visitados", declarou.
O deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA), que participou das visitas, lembrou os principais pontos que estão sendo analisados. "Estamos verificando se a regulação está funcionando, se há compatibilidade nos leitos, se os profissionais estão sendo bem remunerados e em quantidade suficiente para atender a população, se esta havendo desvio de função e as condições logísticas nos hospitais", assinalou.
As próximas visitas já estão programadas, entretanto a agenda do grupo não é divulgada para evitar que os hospitais maquiem os locais que serão vistoriados.
"Nós queremos reforçar o sigilo quanto à data, os locais e nomes dos hospitais que serão visitados, no sentido de manter o fator surpresa, para que se evite que aquela realidade seja modificada pela gestão. Precisamos olhar essa realidade não para punir ou expor os gestores, mas para buscar uma solução que possa trazer melhor qualidade de atendimento nesses hospitais e nas urgências e emergências desse país como um todo", explicou Waldir Cardoso.
Após as visitas, será encaminhado um relatório com sugestão de medidas para melhorar o setor ao Conselho Nacional de Justiça, Ministério Público Federal, Ministério da Saúde e à presidência da Câmara dos Deputados.
"Queremos que cada um tome as providências cabíveis, dentro da sua competência, no sentido de que possamos melhorar essas unidades de urgência e emergência que nos revelam um retrato sub-humano, no qual, muitas vezes, o profissional tem de escolher qual paciente terá que ser atendido, nem sempre sendo possível honrar o juramento que fez quando prometeu na conclusão de curso, salvar vidas", concluiu Arnaldo Jordy.