A paralisação dos médicos de planos de saúde nos dias 15, 16 e 17 deste mês atingirá operadoras que somam mais de 400 mil usuários no Estado. O número corresponde a 18% do total de pessoas que têm hoje assistência privada, setor cujo faturamento cresceu 200% entre 2003 e 2011 no País. As entidades que lideram a mobilização – Sindicato Médico do RS (Simers), Conselho Regional de Medicina (Cremers) e Associação Médica (Amrigs) – intensificam desde o começo desta semana a mobilização da categoria e reforçam esclarecimentos aos pacientes. A recomendação é que os usuários entrem em contato com seus médicos para ter orientação sobre os agendamentos destes três dias.
A suspensão dos atendimentos não urgentes (consultas e procedimentos) busca pressionar planos que não apresentaram propostas de valorização dos médicos e respeito à autonomia do ato médico ou aqueles que fizeram proposições insuficientes. Estima-se que 16 mil dos cerca de 24 mil médicos em atividade no Estado sejam credenciados a planos. As seis operadoras atingidas pelo protesto – Sulamérica, Geap, Saúde Caixa, Cabergs, DoctorClin e Centro Clínico Gaúcho – não tiveram avanços nas negociação até fim de setembro com a Comissão Estadual de Honorários Médicos (CEHM-RS), que é composta por Simers, Cremers e Amrigs.
Somente após a aprovação da paralisação, em assembleia estadual no dia 1 de outubro, algumas das empresas buscaram a Comissão para conversar. Na semana passada, as entidades se reuniram com a DoctorClin. Nesta quarta, estão previstas reuniões com Sulamérica, Centro Clínico Gaúcho e Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge-RS), que representa o setor de planos de autogestão. "Sempre estivemos e estamos abertos a conversar. Os protestos que estão sendo deflagrados em todo o País buscam alertar para uma situação cada vez mais desigual na qual os planos faturam cada vez mais, os médicos são cada vez menos valorizados e a insatisfação dos usuários só aumenta."
O presidente do Sindicato Médico, Paulo de Argollo Mendes, ressalta que a paralisação só pode ser alterada com nova plenária estadual, que não está prevista antes de segunda-feira. Na pauta de reivindicações, estão a adoção pelas operadoras da última edição da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) plena para consultas e procedimentos (que é a referência da categoria e formulada pelo setor), consulta de R$ 80,00 (hoje há grande variação de valores com patamares bem inferiores), e fim de glosas ou restrições a exames e procedimentos indicados pelo profissionais nos tratamentos dos pacientes (operadoras vetam indicações desrespeitando a autonomia do médico em decidir o que é melhor aos seus pacientes).
Na campanha nacional, o slogan é "Basta aos Abusos dos Planos de Saúde, Médicos exigem assistência de qualidade para os pacientes e valorização da Medicina". As direções do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e da Associação Médica Brasileira (AMB) já comunicaram ao Ministério da Saúde sobre as ações nacionais.