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Para José Gomes Temporão, ex-ministro da saúde, proposta do governo interino criaria um “sistema de castas”

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19/07/2016 | Notícia Simesp

Para José Gomes Temporão, ex-ministro da saúde, proposta do governo interino criaria um “sistema de castas”

O ex-ministro da saúde José Gomes Temporão fez duras críticas, em debate na noite de 18 de julho, a medidas anunciadas ou em estudo pelo governo do presidente interino Michel Temer. “Política antipaís, antipovo, antidesenvolvimento”, disse. Temporão, no passado, ironicamente, foi filiado ao PMDB (o mesmo partido de Temer).

Para ele, a ideia do ministro interino da saúde, Ricardo Barros, de criar planos de saúde específicos para os brasileiros mais pobres resultaria em uma espécie de “sistema de castas”. Em audiência no Senado, em 6 de julho, Barros defendeu que se criem planos com menos serviços do que a cobertura mínima obrigatória definida pelas regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Não custa lembrar que a lista da ANS, revisada a cada dois anos, já desobriga os planos de saúde a ofertarem uma série de procedimentos. A justificativa para a criação dessas, nas palavras de Barros, “outras faixas de planos de saúde” seria a de aliviar os gastos do governo com o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Para o homem comum, para o cidadão comum, para o homem e mulher que constrói o Brasil cotidianamente um planinho bem simplificado e um SUS bem desestruturado”, criticou José Gomes Temporão (ministro da saúde entre os anos de 2007 e 2010).

“Tem um aspecto positivo em tudo isso. É o fim da dissimulação. Nunca vi nenhum político, por exemplo, ir pra tribuna falar mal do Sistema Único de Saúde, mas na sua prática legislativa o torpedeiam, o esvaziam, inviabilizam que ele cumpra, de fato, sua função”, avalia. “E pela primeira vez nós temos um ministro que fala de modo claro que quem vai ditar a política de saúde é o mercado”, ressalta.

O Doente Imaginário

Temporão ainda ironizou a fala do ministro interino que disse, em 15 de julho, que a maioria dos brasileiros que procura a rede pública de saúde não estaria doente, mas apenas imaginando ter algum problema de saúde.

“Informou para os milhares de epidemiologistas brasileiros que o Brasil vive uma epidemia gravíssima de quadros psicossomáticos, ao afirmar que a maioria dos pacientes que procuram a rede pública, na verdade, fantasiam que estão doentes”, disse.