Os médicos que trabalham na Prefeitura de Osasco estão convocados a participar de assembleia no dia 28 de maio, quinta-feira, às 19h, na APM da cidade (rua Benedito Ferreira Silva, 150/202 – Jd. Adalgisa), para discutir a crise na saúde do município, que se agravou com o início da gestão pela organização social Fundação do ABC no Hospital Municipal Central Antonio Giglio.
As mudanças acarretaram sérios problemas. O primeiro (e mais grave) é a falta de condições para o exercício da medicina, pois os médicos de toda a rede não conseguem transferir os pacientes em estado grave para o hospital.
Outras questões envolvem a contratação dos trabalhadores. Médicos estatutários (cerca de 90) serão realocados em outras unidades. Já os celetistas (com contrato de emergência) foram dispensados e convidados a assumir vínculo com a OS Fundação do ABC. O Simesp já notificou o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) sobre a situação e continuará cobrando da prefeitura uma solução para o problema. Para isso, terá uma reunião com o novo superintendente do hospital, Alessandro Neves, na próxima sexta-feira, 22.
Entenda o caso
A organização social (OS) Fundação ABC iniciou suas atividade em 27 de abril, no Hospital Municipal de Osasco Antônio Giglio. A transição da gestão da administração direta para a OS causou transtornos para a rede de saúde do município, que já era precária. As unidades de urgência e emergência estão sem retaguarda hospitalar, pois os médicos não conseguem transferir os pacientes para o hospital, que utiliza a mudança administrativa como desculpa para recebê-los.
Segundo médicos que atuam no município, no dia 28 de abril a central de regulação médica das urgências, que organiza as transferências inter-hospitalares de pacientes graves, não estava sequer recebendo chamados.
O Simesp conversou com o secretário municipal de saúde, José Amando Mota, no dia 28 de abril, expondo o problema e a resposta foi que a responsabilidade é da administração do hospital, ou seja, a organização social Fundação ABC, porém, foi explicado que, independentemente da administração do hospital ser terceirizada ou não, o município é o responsável pela adequada assistência à saúde aos munícipes. O secretário assumiu o compromisso de averiguar a situação, porém, no fim de semana seguinte (1 a 3 de maio), o problema se agravou.
“A Prefeitura terceiriza a administração, a OS não cumpre seu papel e o munícipe fica sem assistência. Esse problema é muito sério porque pacientes graves ficam em risco, sem assistência especializada. Se o problema continuar, mortes poderão acontecer”, enfatiza o presidente do Simesp, Eder Gatti.