Mesmo no Dia Mundial da Saúde, comemorado nesta segunda-feira (7), nas unidades básicas de São José do Rio Preto (SP), o atendimento deixa muito a desejar. Em alguns lugares faltam médicos e há demora de meses no agendamento de consultas e exames.
Antes mesmo das portas serem abertas, a fila se forma no posto de saúde do bairro Santo Antônio, região norte de Rio Preto. Além da demora, os pacientes reclamam da falta de médicos. A doméstica Andressa Sandrin diz que há seis meses o postinho está sem pediatra na emergência. “Eles falam que não têm pediatra na unidade e temos de procurar em outro lugar, tenho duas crianças e não tenho carro, então é sempre uma dificuldade para levar ao médico”, afirma Andressa.
Os problemas não param por aí, já que quem precisa receber medicação de alto custo também está descontente. Há um mês, a dona de casa Rejane Pereira de Souza está à espera de uma assinatura para liberação dos remédios. “Eles me empurram cada hora para um lugar e desde novembro estou indo atrás dos remédios e não consigo encontra-los”, diz Rejane.
Na unidade de saúde do bairro Solo Sagrado, a situação não é muito diferente e, no local, os pacientes também estão insatisfeitos. A aposentada Izabel Francisco teve dengue e há um ano espera para fazer um ultrassom solicitado pelo médico. “Em março eu tive dengue e eles me pediram exames e não marcaram até agora, é horrível isso, se fosse para morrer já teria morrido”, afirma a aposentada.
No Dia Mundial da Saúde a população de Rio Preto não tem muitos motivos para comemorar. Até a Câmara de Vereadores já abriu comissão especial de inquérito para investigar irregularidades na secretaria. A CEI encontrou falhas graves como a transferência de verbas da saúde para outras pastas e omissão de casos de dengue durante a epidemia que a cidade enfrentou em 2010.
Com a saúde pública cheia de limitações, a aposentada Judith Pinheiro optou por pagar um plano particular, quase R$ 600 por mês. O dinheiro faz muito falta para ela, valor que não precisaria gastar se tivesse um bom atendimento de graça. “Preciso de um mapeamento da retina, do olho direito, e no começo de abril fui marcar e está agendada para agosto só. O Estatuto do Idoso não funciona e é preciso aceitar, porque não tem com quem recorrer”, afirma Judith.
O secretário de Saúde de Rio Preto, José Victor Maniglia, afirma que a secretaria fez um diagnóstico de como está a situação da saúde na cidade e que medidas estão sendo tomadas. “Estamos investindo na saúde básica, como o programa Saúde da Família, e isso vai ajudar bastante. Com isso vai diminuir a ida das pessoas aos prontos-socorros e em maio já devemos ter o programa da Saúde da Família pronto. Sobre a demora em exames, estamos com todo o sistema de informática instalada e agora vai agilizar os exames para as consultas”, afirma o secretário.