Profissionais convocam assembleia no dia 6 de julho para discutir medidas de mobilizaçãoA substituição da administração da AMA (Assistência Médica Ambulatorial) Santa Cecília expôs alguns dos principais problemas associados ao modelo de gestão por organizações sociais. Desde que o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas) foi substituído pela Associação Filantrópica Nova Esperança (AFNE), o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) recebeu inúmeras queixas. Médicas e médicos da unidade relatam o agravamento da rotina de trabalho, precariedade da infraestrutura, redução de direitos trabalhistas e falta de reposição de profissionais. Segundo os relatos, as mudanças têm impactado não apenas a saúde física e mental dos trabalhadores, mas também a qualidade do atendimento oferecido aos pacientes. A definição sobre possíveis ações será tomada em assembleia marcada para o dia 6 de julho.
Com a mudança da gestão, os médicos passaram a atender até 44 pacientes por dia, com consulta de 15 minutos, o que caracteriza uma sobrecarga abusiva, segundo Juliana Salles, secretária geral da diretoria plena do Simesp. Nas avaliações pré-cirúrgicas, a situação é ainda pior e o tempo destinado às consultas seria apenas de cinco minutos, enquanto o procedimento segue com duração de 30 minutos. Quando os médicos tentaram dialogar com a gestão, o profissional responsável foi demitido.
Além da sobrecarga, os médicos denunciam a ausência de reposição dos profissionais afastados e falta de reposição de no quadro quando profissionais estão em férias, o que tem deixado equipes desfalcadas, ampliando a pressão sobre aqueles que permanecem em atividade. Há relatos de profissionais que não conseguem realizar intervalos para almoço e acumulam horas extras sem previsão de compensação. Outro fator alarmante é o cancelamento de férias sem justificativa.
As dificuldades também atingem a infraestrutura da AMA. De acordo com os relatos, consultórios apresentam dimensões inapropriadas para a realização de exames. A falta de mobiliário, como cadeiras, obriga médicos a realizarem atendimentos em pé. Também são constatados a carência de insumos administrativos essenciais, tais como papel para impressão e teclados de computador.
As condições atuais de trabalho têm levado os profissionais ao limite da saúde mental e física, comprometendo não apenas o bem-estar das equipes, mas também a qualidade da assistência prestada à população.
Na avaliação da dirigente do Simesp, as denúncias são reflexo da expansão do modelo de terceirização na saúde pública. “A cada troca de administração, os trabalhadores convivem com insegurança, mudanças abruptas nas condições de trabalho e descontinuidade na gestão dos serviços. Quem paga essa conta são os profissionais de saúde e a população”, afirma Juliana.
Diante do cenário, o Simesp convocou assembleia com os médicos da unidade para o dia 6 de julho. O encontro vai discutir as denúncias apresentadas e definir os próximos passos da mobilização.