29/03/2021 | Notícia Simesp

Os médicos e médicas do Emílio Ribas não vão se calar!


A partir do mês de fevereiro de 2021, médicos infectologistas do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (IIER) foram chamados para prestar esclarecimentos à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) sobre mensagens que foram veiculadas no grupo de WhatsApp administrado pela Associação dos Médicos do IIER e em redes sociais (processo 10420/2021). As mensagens apontavam denúncias sobre a situação do hospital e críticas à gestão técnica do IIER e da SES-SP.

A averiguação da SES-SP sobre o conteúdo de mensagens públicas em redes sociais deve acontecer, uma vez que elas apresentam problemas que precisam ser resolvidos. Porém, os médicos convocados pela SES-SP relataram que foram questionados sobre críticas à gestão do governo do Estado, com a apresentação de prints de mensagens no grupo de WhatsApp antes mencionado. É imperativo saber como e quem acionou à SES-SP para abrir o processo 10420/2021 e quais são seus objetivos e alcances.

Diante disso, a Assembleia Geral dos médicos do IIER repudia a postura policialesca do Governo do Estado de São Paulo; entende que o simples fato de convocar colegas para prestar esclarecimentos sobre opiniões e críticas gera constrangimentos com objetivo de intimidar e calar vozes contrárias à gestão vigente, sob ameaça de abertura de processos disciplinares.

As expressões de colegas em grupo de WhatsApp, entre seus pares, buscam refletir os problemas do IIER, assim como é um espaço de desabafos frente à difícil situação da instituição. O IIER encontra-se com leitos fechados por conta de uma obra que se arrasta há mais de seis anos. E mesmo havendo uma limitação física por conta da obra, uma boa parte foi reformada e poderia ser ocupada por leitos regulares. No entanto, isso não acontece por conta da falta de recursos humanos perdidos ao longo dos anos, devido à aposentadoria, demissões ou falecimentos, segundo a própria Diretoria Técnica do hospital.

 

Por conta da contingência na urgência de equipar o hospital para o atendimento da atual pandemia, as áreas novas citadas foram usadas para a instalação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva, mas com mão de obra terceirizada, já que o hospital não tinha este contingente de recursos humanos.

Para outras áreas do hospital, como Pronto Socorro e Enfermarias, foram contratados pelo Estado médicos em regime de urgência, mediante Contrato por Tempo Definido (CTD). No entanto, após um ano de pandemia, maior demanda emergencial de profissionais acontece em decorrência da finalização do CTD e da ampliação de leitos no IIER. Há médicos infectologistas formados na instituição querendo trabalhar no IIER, apesar das condições atuais e baixos salários. Contudo, o Governo do Estado não promove concursos públicos, ao mesmo tempo em que o Sr Secretário de Estado da Saúde, Jean Gorinchteyn, solicita médicos voluntários para ajudar na assistência à Covid-19 (coletiva de imprensa de 05 de março de 2021), assim como amplia a terceirização para Enfermarias além das UTIs. Portanto, há necessidade de concurso público para o IIER com urgência.

Ao longo dos anos, o Governo do Estado de São Paulo desestruturou serviços de saúde com sua política de enxugar serviços públicos. A pandemia de Covid-19 intensificou e explicitou esse desmonte. Esta situação complexa e angustiante precisa ser debatida e exposta.

Os médicos do IIER reafirmam sua vocação de serviço e compromisso de continuar no combate à pandemia de Covid-19, mas rejeitam qualquer tentativa de intimidação às opiniões do Corpo Clínico e exigem atenção às suas reivindicações: finalização da obra e concurso público já!

 

Associação dos Médicos do Instituto de Infectologia Emílio Ribas



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