16/12/2020 | Notícia Simesp

Organizações sociais mascaram agenda da UBSs para esconder quebra de regras das orientações da prefeitura


Unidades também não seguem recomendações de fluxo de atendimento de Covid-19, colocando a população em risco

A pressão das organizações sociais (OSs), que administram as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município de São Paulo, para o aumento do número de atendimentos durante a pandemia, contrariando recomendações da prefeitura, é cada dia maior e coloca a população em risco. De acordo com denúncias recebidas pelo Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), a prefeitura preconiza que sejam feitos dois atendimentos agendados por hora para que se possa atender também à demanda espontânea, inclusive os casos de Covid-19 (coronavírus), totalizando quatro atendimentos. Na prática, as UBSs estão focando os atendimentos em números de produtividade e isso extrapola as recomendações da prefeitura, gerando aglomeração e tornando insuficiente o tempo destinado para cada paciente.

De acordo com Victor Dourado, presidente do Simesp, é revoltante que as OSs prejudiquem os próprios pacientes de forma irresponsável com a pandemia. “O real número de atendimentos extrapola os quatro por hora, chegando a até oito! Como os médicos podem oferecer um atendimento de qualidade tendo pouco mais de sete minutos para atender? E tudo isso em um contexto de pandemia, onde não se importam em deixar pacientes com sintomas de Covid-19 no mesmo ambiente dos demais. Precisar ir à UBS se tornou sinônimo de alto risco de contágio por culpa da má gestão dos locais e omissão da prefeitura, que não fiscaliza ou cobra as organizações sociais.” Algumas unidades também seguem com a cobrança para que os médicos realizem teleconsultas sem oferecer as condições mínimas para atuação e sem local adequado para realizar o atendimento.

Ainda segundo Dourado, a solução para atender de maneira adequada à crescente demanda seria o aumento do número de equipes e maior organização entre prontos-socorros e UBSs. “As UBSs têm se transformado em prontos-socorros sem estrutura. A população acaba procurando a UBS achando que os cuidados para evitar a disseminação da pandemia estão sendo tomados quando, na realidade, pela sobrecarga de trabalho, não há a devida higienização e fluxo de atendimento quando um paciente com Covid-19 está na unidade”.

Para coletar as denúncias e tomar as devidas ações, o Simesp tem realizado visitas às UBSs e realizado reuniões periódicas com os médicos da Atenção Primária à Saúde (APS), sendo que a última aconteceu ontem, dia 14 de dezembro. Além disso, também foi criado um canal de denúncias para que elas sejam reunidas de forma sistematizada. Caso você enfrente problemas em seu local de trabalho, denuncie preenchendo o formulário que o Simesp criou clicando aqui. O Simesp pede que, além de preencher o formulário, que os médicos tentem enviar documentos que comprovem as irregularidades para que seja possível denunciar a situação ao Ministério Público (MP) com o envio de fotos de escalas, fotos da agenda paralela da unidade, aglomeração, condições de trabalho etc. A sua participação é muito importante!

Confira aqui carta aberta do Simesp aos médicos da APS explicando os decretos da prefeitura, as obrigações dos gestores das unidades e as ações do sindicato.

 



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